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‘Criadas’ estreia nos cinemas em junho trazendo suspense, memória e reflexões

Depois de uma trajetória marcada por reconhecimento em festivais brasileiros e internacionais, o longa Criadas chega aos cinemas nacionais em 11 de junho como um dos lançamentos mais potentes do cinema brasileiro contemporâneo. Dirigido e roteirizado por Carol Rodrigues, o filme estreia pelo projeto Sessão Vitrine Petrobras após acumular prêmios e destaque em importantes eventos do audiovisual.

A produção conquistou o prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio para suas protagonistas Mawusi Tulani e Ana Flavia Cavalcanti, além de integrar a disputa do Africa Movie Academy Awards na categoria de Melhor Longa da Diáspora.

Misturando drama psicológico, horror subjetivo e elementos de realismo fantástico, “Criadas” acompanha o reencontro entre Sandra e Mariana, primas que cresceram sob o mesmo teto, mas viveram realidades completamente diferentes dentro daquela casa. Enquanto Sandra retorna ao local em busca de fotografias da mãe, antiga empregada residente da família, Mariana segue morando ali. O reencontro faz emergir memórias dolorosas, tensões familiares e marcas profundas deixadas pelo racismo estrutural.

No filme, a casa se transforma em mais do que cenário: torna-se uma espécie de organismo vivo, carregando silêncios, fantasmas e lembranças reprimidas atravessadas por gerações. A diretora Carol Rodrigues utiliza o espaço para explorar questões como colorismo, pertencimento, invisibilidade e heranças coloniais ainda presentes nas relações sociais brasileiras. Segundo Rodrigues, a obra nasceu de uma investigação íntima sobre as próprias vivências familiares e sobre os impactos históricos do trabalho doméstico nas estruturas afetivas do país. A cineasta também destaca que o sobrenatural presente na narrativa funciona como uma manifestação concreta de traumas e memórias que nunca desapareceram completamente.

As protagonistas do longa reforçam o peso emocional da história. Mawusi Tulani descreve Sandra como uma mulher marcada pela busca por ascensão social e pelas feridas silenciosas do racismo cotidiano. Já Ana Flavia Cavalcanti aponta como o filme discute pertencimento racial e os efeitos das estruturas herdadas da escravidão dentro das famílias brasileiras. Outro nome importante do elenco é Rudmira Fula, que interpreta Raquel, personagem responsável por ampliar a discussão sobre a experiência negra diaspórica dentro da trama.

Produzido pela Gato do Parque Cinematográfica em parceria com Telecine, Canal Brasil e outras produtoras, o longa também chama atenção pelos bastidores. A equipe foi formada majoritariamente por profissionais negros, mulheres e pessoas LGBTQIAP+, buscando um modelo de produção mais horizontal e distante da lógica tradicional de exaustão do audiovisual.

Durante seus oito anos de desenvolvimento, “Criadas” passou por importantes laboratórios e mercados internacionais, como o BrLab e o Torino Film Lab, além de receber reconhecimento por seu roteiro em premiações nacionais.

Com estreia marcada para junho, “Criadas” chega aos cinemas propondo uma experiência sensorial e política ao mesmo tempo, utilizando memórias familiares e relações íntimas para refletir sobre as permanências do racismo e os espaços ocupados pelas mulheres negras na sociedade brasileira.

Criador de conteúdo do ON Pop Life, é apaixonado por cinema, cultura geek e pop japonesa. Atua há mais de 10 anos na cobertura de eventos, shows e já organizou eventos de anime.