A trajetória de um dos maiores nomes da música brasileira ganhará uma nova interpretação nas telonas. Viver é Melhor que Sonhar, longa-metragem inspirado nos últimos anos da vida do cantor e compositor Belchior (1946–2017), terá sua estreia mundial durante a 36ª edição do Cine Ceará, em Fortaleza. A produção foi escolhida para encerrar o festival no dia 13 de novembro, antes de chegar ao circuito comercial brasileiro em 3 de dezembro.
A primeira exibição acontecerá no tradicional Cineteatro São Luiz, em uma sessão especial fora de competição, realizada na mesma noite em que serão anunciados os vencedores do festival. A escolha do Ceará para a première tem um significado especial, já que foi no estado que Belchior nasceu e iniciou sua relação com a música e a poesia, experiências que influenciaram profundamente sua carreira.
Dirigido por Eduardo Albergaria, responsável por Nosso Sonho, o filme apresenta uma abordagem diferente das cinebiografias tradicionais. Em vez de acompanhar toda a trajetória musical do artista, a produção concentra sua narrativa em um período marcado por decisões radicais, mudanças pessoais e pelo afastamento dos palcos.
Na história, Luiz Carlos Vasconcelos interpreta Belchior, enquanto Isabela Garcia assume o papel de Edna, sua companheira. A trama acompanha o momento em que o músico decide abandonar a fama, os bens materiais e a vida pública para viajar ao lado de seu novo amor. Durante essa jornada, o casal atravessa diferentes cidades e fronteiras, encontrando apoio em admiradores que oferecem abrigo e acolhimento. A narrativa explora o lado mais reservado do compositor, apresentando uma fase de sua vida que despertou curiosidade e especulações entre fãs e admiradores.
Filmado no Brasil e no Uruguai, o longa também chama a atenção por sua proposta musical. Como a história retrata justamente o período em que Belchior decidiu não cantar, a trilha sonora reúne músicas que faziam parte do cotidiano do casal, incluindo clássicos como “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan, e “Imagine”, de John Lennon.
O lançamento acontece em um ano especialmente simbólico para a memória do artista: 2026 marca os 80 anos de seu nascimento e os 50 anos do álbum Alucinação, considerado um dos trabalhos mais importantes de sua discografia. O desenvolvimento do projeto começou há aproximadamente dez anos, inspirado pela reportagem A Divina Tragédia de Belchior, de Marcelo Bortoloti, e pela biografia Belchior: Apenas um Rapaz Latino-Americano, escrita por Jotabê Medeiros.
Para reconstruir os acontecimentos retratados, o diretor Eduardo Albergaria, o produtor Leonardo Edde e o roteirista Daniel Dias realizaram uma extensa pesquisa, que incluiu 78 entrevistas gravadas em diferentes regiões do Brasil e no Uruguai. O trabalho também envolveu documentos, registros pessoais e informações presentes no livro Viver é Melhor que Sonhar: Os Últimos Caminhos de Belchior, de Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti.
Além dos protagonistas, o elenco reúne Karine Teles, Augusto Madeira, Lucas Penteado, Nabiyah Be, Márcio Vito, Marina Provenzzano, Lola Belli, Caian Zattar, Ana Luiza Rios, Amaro Freitas e Luciano Cáceres. A produção é da Urca Filmes, em coprodução com a H2O Produções, com patrocínio do BNDES, investimento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e distribuição da H2O Films.

Ao apresentar uma fase pouco conhecida da vida de Belchior, Viver é Melhor que Sonhar busca oferecer ao público uma perspectiva mais íntima sobre o artista, explorando suas escolhas, seus relacionamentos e a busca por uma existência distante da exposição pública.
Após sua première mundial no Cine Ceará, em 13 de novembro, o filme estreia nos cinemas brasileiros em 3 de dezembro.


