O documentário Sagrado, dirigido por Alice Riff, saiu consagrado da 31ª edição do É Tudo Verdade ao levar o prêmio de melhor longa-metragem da competição nacional. A vitória não só reafirma o prestígio da produção como também a coloca oficialmente na disputa por uma vaga no Oscar de Melhor Documentário.
Além do reconhecimento principal, o filme também garantiu o prêmio de melhor direção concedido pela APACI, reforçando o impacto da condução estética e narrativa adotada pela diretora.
Rodado integralmente dentro de uma escola pública em Diadema, no ABC paulista, Sagrado se afasta de estruturas tradicionais ao mergulhar no cotidiano de professores e funcionários, figuras que sustentam o funcionamento da instituição, mas que raramente ocupam o centro das narrativas. A proposta é observar, com paciência e profundidade, as dinâmicas internas, revelando tensões, afetos e desafios que refletem realidades muito além dos muros escolares. A construção do filme aposta no que não é mostrado diretamente. Ao evitar focalizar os alunos, a obra cria um “fora de campo” que convida o espectador a imaginar as histórias que orbitam aquele espaço, ampliando o alcance da narrativa. Esse jogo entre presença e ausência se torna um dos pilares da experiência proposta.

Na avaliação do júri, o longa se destacou por unir forma e conteúdo de maneira consistente, construindo uma linguagem em que escolhas estéticas e posicionamento político caminham lado a lado. O resultado é um filme que transforma observação em discurso, sem recorrer a excessos ou explicações didáticas.
Conhecida por trabalhos como Meu Corpo é Político, Alice Riff retorna ao ambiente escolar, cenário que já explorou anteriormente, mas agora sob uma nova perspectiva: a de quem mantém o sistema em funcionamento. Em vez de protagonistas definidos, Sagrado constrói um retrato coletivo, onde cada gesto cotidiano contribui para revelar a complexidade de um espaço muitas vezes invisibilizado. O filme se apresenta como uma reflexão sobre cuidado, escuta e presença, elementos que, juntos, ajudam a desenhar um retrato potente da educação pública no Brasil.

A diretora
Alice Riff, nascida em São Paulo em 1984, construiu sua trajetória no cinema como diretora, roteirista e produtora, com forte atuação no documentário. Ao longo da carreira, assinou longas como Eleições (2018), Meu Corpo é Político (2017) e Platamama (2018), obras que circularam por importantes festivais no Brasil e no exterior, incluindo Visions du Réel, Dok Leipzig, Festival do Rio, BAFICI, Festival de Havana e o Festival de Brasília. Entre seus trabalhos mais reconhecidos, Meu Corpo é Político conquistou o prêmio de Melhor Filme Brasileiro no Olhar de Cinema, em Curitiba, além de levar o troféu de Melhor Filme no Lovers – LGBT Torino Film Festival, consolidando seu nome no circuito internacional.
Filmografia
Orquestra Invisível Let’s Dance (curta, 2016) — destaque no Kinoforum, onde recebeu o Prêmio Aquisição TV Cultura
Meu Corpo é Político (longa, 2017) — exibido no Visions du Réel e vencedor no Olhar de Cinema
Eleições (longa, 2018) — selecionado para o Dok Leipzig e Festival do Rio
Platamama (longa, 2018) — exibido na Mostra de Tiradentes

FICHA TÉCNICA
Título / Título Internacional | Sagrado
Direção, Roteiro e Produção | Alice Riff
Coprodutores | Aline Mazzarella, Matheus Peçanha
Produção Executiva | Alice Riff, Felipe Fernandes
Direção de Fotografia | Caio Mazzilli
Montagem | Beatriz Pomar
Música Original | Joana Queiroz
Mixagem e Edição de Som | Ricardo Zollner
Empresa Produtora | Studio Riff
Empresa Coprodutora | Estúdio Giz
Distribuição | Embaúba Filmes
País de Produção | Brasil
Ano | 2026
Duração | 90 min
Gênero | Documentário
Classificação Indicativa | Livre


