Durante a gamescom latam 2026, tive acesso a Marvel Tōkon: Fighting Souls em uma área exclusiva para a imprensa. O novo título da Arc System Works, desenvolvido em parceria com a Sony, deixa uma primeira impressão bastante clara: não é apenas mais um jogo de luta com personagens da Marvel tentando encontrar seu espaço em um gênero já consolidado, mas sim uma proposta que busca se destacar com identidade própria desde os primeiros minutos. Existe aqui uma intenção bem definida de quebrar expectativas e apresentar algo que, embora familiar à primeira vista, rapidamente revela camadas próprias.
Logo nos primeiros minutos com o controle em mãos, o jogo já demonstra que sua proposta vai além do básico. A estrutura inicial é reconhecível, ataques leves, pesados e especiais, mas a forma como esses elementos se conectam cria uma sensação constante de fluidez e agressividade. Os golpes se encaixam com naturalidade, os combos surgem quase de forma orgânica e há uma cadência que incentiva o jogador a se manter sempre no ataque. Ao mesmo tempo, existe uma preocupação evidente em tornar tudo acessível: mesmo quem não tem muita experiência com jogos de luta consegue executar sequências visualmente impressionantes sem grande dificuldade.
Mas essa acessibilidade não significa superficialidade. Conforme a partida avança, fica claro que há profundidade suficiente para recompensar jogadores mais técnicos. O timing dos golpes, o uso estratégico das habilidades especiais e, principalmente, o gerenciamento de recursos começam a fazer diferença real no resultado das lutas. É aquele tipo de design que funciona em dois níveis: divertido para iniciantes, mas exigente para quem decide se aprofundar.

O grande diferencial, no entanto, está no formato 4 contra 4, que foge completamente do padrão tradicional visto na maioria dos jogos de luta em equipe. Aqui, você monta um time com quatro personagens, mas todos compartilham uma única barra de vida, uma decisão de design que altera drasticamente a dinâmica das partidas. Em vez de depender de trocas constantes entre lutadores para preservar energia, o jogo incentiva uma abordagem mais ofensiva, onde cada erro pesa mais e cada acerto pode ser decisivo.
Além disso, os personagens adicionais não entram em cena de maneira convencional. Eles surgem de forma contextual, seja durante combos mais elaborados, especialmente próximos às paredes, com quebras de cenário ou em momentos em que o jogador está sob pressão, funcionando quase como uma resposta automática ao ritmo da luta. Esse sistema cria situações imprevisíveis, com viradas acontecendo em questão de segundos, e mantém a tensão sempre alta.
Na prática, isso transforma cada confronto em algo mais caótico, mas também mais estratégico. Não basta apenas atacar: é preciso entender quando pressionar, quando recuar e como aproveitar ao máximo a entrada dos outros membros da equipe. O resultado são partidas rápidas, intensas e com pouquíssimos momentos de respiro, onde qualquer descuido pode mudar completamente o rumo da luta.
Confira alguns momentos do teste de Marvel Tōkon: Fighting Souls durante minha gameplay na gamescom latam 2026.
Durante o teste, foi possível montar equipes com nomes bastante conhecidos do universo Marvel, como Wolverine, Homem-Aranha, Tempestade e Doutor Destino. Cada um deles não está ali apenas como fan service: há um cuidado claro em fazer com que suas habilidades reflitam suas características nos quadrinhos e impactem diretamente a forma como você joga. Enquanto alguns personagens favorecem abordagens mais agressivas e pressão constante, outros funcionam melhor no controle de espaço ou em respostas rápidas. Isso faz com que a montagem da equipe vá muito além da preferência pessoal, exigindo uma certa sinergia entre os lutadores para extrair o melhor desempenho em combate.
O sistema de assistências também surge como uma peça central dentro dessa dinâmica. Com comandos simples e intuitivos, é possível acionar aliados para intervir em momentos específicos da luta, seja para estender combos, interromper ataques adversários ou criar aberturas estratégicas. Além disso, há a possibilidade de trocar completamente de personagem durante a luta, o que adiciona ainda mais possibilidades táticas. No entanto, tudo isso está atrelado ao consumo de recursos, o que obriga o jogador a pensar antes de agir. Jogar de forma agressiva pode render sequências impressionantes e pressão constante no oponente, mas também pode esgotar rapidamente sua barra de especial e te deixar exposto. Esse equilíbrio entre risco e recompensa é um dos pontos mais interessantes do sistema, funcionando muito bem tanto para jogadores casuais quanto para quem busca um nível mais competitivo.
Outro destaque evidente está no visual. Marvel Tōkon: Fighting Souls carrega com força a identidade da Arc System Works, conhecida por seu estilo artístico marcante. As animações são extremamente fluidas, com golpes cheios de impacto e transições suaves entre movimentos, enquanto os cenários apostam em um visual estilizado que remete diretamente a um anime em tempo real. Há também um cuidado com efeitos visuais durante os combates, explosões de energia, cortes rápidos de câmera e golpes especiais cinematográficos ajudam a dar ainda mais peso às ações. É o tipo de estética que não só agrada quem está jogando, mas também chama atenção de quem está apenas assistindo, algo essencial em um ambiente como o do evento.

Marvel Tōkon: Fighting Souls ainda está em fase inicial de apresentação ao público, mas já demonstra uma direção bem definida. A ideia de um sistema 4v4 com barra de vida compartilhada pode soar estranha no papel, mas funciona surpreendentemente bem na prática, criando partidas mais intensas e imprevisíveis. Ao mesmo tempo, o jogo consegue equilibrar acessibilidade e técnica, iniciantes podem se divertir apertando botões, enquanto jogadores mais experientes encontram profundidade no gerenciamento de recursos e na montagem de equipes. Se conseguir manter esse equilíbrio até o lançamento, Marvel Tōkon tem potencial para se destacar não só entre jogos de luta, mas também dentro do próprio catálogo da Marvel nos games.
Produzido pela Arc System Works e publicado pela Sony, Marvel Tōkon: Fighting Souls será lançado em 6 de agosto de 2026 para PlayStation 5 e PC.


