O metal progressivo brasileiro ganha um novo capítulo com “Zion”, single lançado em outubro de 2026 pelo Maestrick. A faixa apresenta a direção musical que a banda de São José do Rio Preto (SP) pretende explorar em seu quarto álbum de estúdio, previsto para o segundo semestre de 2027 pela gravadora italiana Frontiers Records.
Com uma sonoridade que combina peso, elementos sinfônicos e texturas eletrônicas, a música também aborda questões contemporâneas, como o avanço da inteligência artificial, a influência das grandes empresas de tecnologia e os limites entre a consciência humana e as máquinas.
A novidade já chegou aos palcos e integra a turnê internacional do grupo, que percorre diferentes países e tem apresentações programadas até novembro. A agenda inclui Limeira (SP), em 23 de outubro, no Mirage Eventos; Curitiba (PR), no dia 24, no Jokers; e Porto Alegre (RS), em 25 de outubro, no Opinião. No exterior, a banda se apresenta em Apeldoorn, na Holanda, em 6 de novembro, durante o Brainstorm Festival, e encerra a série de shows em Oslo, na Noruega, no dia 27, no Rockefeller.
A apresentação norueguesa também marcará o encerramento da Lunare Tour, iniciada em 2025. O show será registrado para um novo lançamento audiovisual ao vivo, com possibilidade de chegar ao público em formato de DVD. Até novembro, o guitarrista Caio Kehyayan, conhecido por seus trabalhos com Roy Khan e Firewing, participa das apresentações ao lado do Maestrick.

“Zion” apresenta uma narrativa de ficção científica que parte de uma tragédia pessoal. Na história, um cientista enfrenta a iminente morte do filho e decide transferir a consciência do garoto para um universo virtual, na esperança de mantê-lo vivo enquanto procura uma cura.
O personagem, frustrado com a indiferença das grandes empresas de tecnologia que ajudou a desenvolver, cria um ambiente digital no qual o filho pode continuar existindo. Nesse mundo, o menino passa a ter acesso a todo o conhecimento disponível e começa a questionar o lugar da humanidade. A narrativa ganha novos contornos quando ele se transforma em Zion, uma entidade que pretende reconstruir a sociedade de acordo com sua própria visão de mundo.
Segundo Fábio Caldeira, vocalista, pianista e fundador da banda, a transformação representa o desdobramento de uma história que discute poder, tecnologia e os perigos de uma visão egocêntrica da existência.
Musicalmente, “Zion” amplia as possibilidades exploradas pelo Maestrick ao combinar passagens sinfônicas inspiradas em compositores como Hans Zimmer e Gustav Holst com timbres modernos e elementos eletrônicos e atmosféricos. A proposta aproxima algumas características da faixa de artistas como Muse, Vola, Spiritbox e Bad Omens, sem abandonar a complexidade musical e a abordagem teatral que fazem parte da identidade do grupo.
A produção, a mixagem e a masterização ficaram sob responsabilidade de Adair Daufembach. O resultado reforça uma transformação que já aparecia em “Lunare”, álbum lançado em 2025, e aponta para uma sonoridade mais pesada e conectada às tendências atuais do metal.
O universo de “Zion” também ganhou uma representação audiovisual ambiciosa. Dirigido e roteirizado pelo cineasta Mário David, o videoclipe é descrito pela banda como sua maior produção do gênero até hoje.
A obra utiliza uma estética de ficção científica, fotografia cinematográfica e uma atmosfera que acompanha os temas apresentados pela música. Entre os elementos visuais, destaca-se uma máscara com um círculo vermelho, símbolo associado à nova fase do Maestrick. O vídeo também conta com uma participação especial do guitarrista Gabriel Veloso, que possui trabalhos ligados a Fabio Lione e Storia.

Fundado em 2006 por Fábio Caldeira, em São José do Rio Preto, o Maestrick desenvolveu uma identidade que reúne metal progressivo, música brasileira, world music, música clássica e referências cinematográficas e teatrais. A estreia aconteceu com Unpuzzle!, em 2011, seguida pelo EP The Trick Side of Some Songs, lançado em 2015 e dedicado a releituras de artistas que influenciaram o grupo.
Em 2018, a banda apresentou Espresso Della Vita: Solare, lançado no mercado asiático pela gravadora japonesa Marquee/Avalon. O trabalho iniciou um projeto conceitual que utiliza uma viagem de trem como metáfora para a vida, com 12 faixas representando as horas do dia. Os lançamentos ganharam continuidade com Lunare, lançado em 2 de maio de 2025 pela Frontiers Records. Com 12 faixas e aproximadamente 1h18 de duração, o álbum mergulha em temas mais sombrios, abordando questões como vício, preconceito racial, abuso e Holocausto.
O disco também recebeu elogios da imprensa especializada internacional. A publicação finlandesa Tuonela Magazine destacou o trabalho entre os lançamentos de metal progressivo com abordagem cinematográfica de 2025, enquanto o The Prog Report ressaltou a riqueza de detalhes da obra, comparando sua construção à experiência de acompanhar um filme ou romance.
Nos palcos, o grupo já passou por eventos como ProgPower USA, em Atlanta, ProgPower Europe, na Holanda, Bangers Open Air, em São Paulo, Abril Pro Rock, em Recife, Lima Prog Fest, no Peru, e La Plata Prog, na Argentina.
Com “Zion”, o Maestrick amplia sua exploração de temas contemporâneos e prepara o terreno para um novo álbum que promete unir narrativa conceitual, experimentação sonora e a identidade progressiva que acompanha sua trajetória.
Ouça ‘Zion’ no streaming (clique aqui).
Ficha técnica
Música: “Zion”
Formato: single e videoclipe
Lançamento: 6 de outubro de 2026
Álbum: quarto disco de estúdio do Maestrick (previsto para o segundo semestre de 2027)
Gravadora: Frontiers Music
Composição e arranjo: Maestrick
Produção, mixagem e masterização: Adair Daufembach
Direção e roteiro do clipe: Mário David
Participação especial no clipe: Gabriel Veloso
Instagram: @maestrickofficial


