O terror em estilo found footage já foi explorado inúmeras vezes no cinema, mas POV: Presença Oculta tenta renovar essa fórmula ao utilizar algo que se tornou comum no mundo real: as câmeras corporais usadas por policiais. A história começa de maneira intensa, quase como se já estivéssemos no clímax do filme. Dois policiais, Jerome Jackson e Bryce Anderson, atendem uma chamada de violência doméstica durante a madrugada e acabam entrando em uma casa decadente em um bairro problemático. O que parecia ser apenas mais uma ocorrência rotineira rapidamente se transforma em algo muito mais sinistro.
Dentro da residência, os policiais encontram manchas de sangue, símbolos misteriosos nas paredes e moradores com comportamentos perturbadores. A sensação de que algo está profundamente errado cresce a cada minuto, e o filme usa bem essa atmosfera de tensão inicial para mergulhar o espectador em um cenário que mistura horror sobrenatural com o caos urbano.


Diferente de muitos filmes do gênero que constroem o mistério lentamente, POV: Presença Oculta já começa com o pé no acelerador. O diretor Brandon Christensen opta por focar nas consequências daquele encontro estranho dentro da casa, em vez de gastar tempo explicando demais o que está acontecendo. Elementos como um buraco no porão marcado pela palavra “RISE” e a repetição de um inquietante mantra, “você tira algo dele, ele tira algo de você”, sugerem rapidamente que os policiais despertaram uma força que não deveria ter sido perturbada.
Com apenas cerca de 75 minutos de duração, o filme mantém um ritmo rápido e quase sufocante. A narrativa leva os protagonistas por diferentes lugares decadentes da cidade enquanto tentam encontrar respostas ou escapar do que os persegue. Essa sensação de estar preso em um pesadelo constante funciona bem dentro da proposta do filme, embora também limite o desenvolvimento emocional dos personagens. Como tudo é visto exclusivamente pelas câmeras corporais, não há pausas ou momentos de normalidade que permitam ao público se conectar profundamente com eles.
Visualmente, a estética funciona melhor do que muitos filmes semelhantes. As locações reais em Alberta, no Canadá, dão um ar autêntico e sombrio à história, especialmente os cenários abandonados e deteriorados que reforçam o clima de decadência. A fotografia de Clayton Moore utiliza bem a visão noturna e a granulação típica das câmeras policiais para manter a ilusão de realismo.

As atuações também ajudam bastante a sustentar a proposta. O elenco consegue transmitir naturalidade nas reações diante do horror crescente, algo essencial para que o formato found footage funcione. No entanto, alguns efeitos de glitch e distorções digitais aplicados na pós-produção parecem um pouco excessivos e acabam quebrando parte da imersão.
No terceiro ato, o filme se aproxima mais dos clichês do gênero. Há momentos que lembram claramente outros clássicos do found footage, especialmente quando o protagonista faz um discurso emocional diretamente para a câmera, ecoando cenas famosas de produções que popularizaram o estilo. Ainda assim, mesmo com esses elementos previsíveis, a jornada até esse ponto é tensa e repleta de momentos eficazes.
Nos melhores trechos, POV: Presença Oculta lembra o clima minimalista dos primeiros filmes de terror sobrenatural baseados em registros de câmera, apostando mais na atmosfera e na sensação de ameaça constante do que em grandes efeitos visuais. A produção é modesta, mas demonstra criatividade suficiente para manter o interesse do público.

POV: Presença Oculta não reinventa o gênero found footage, mas consegue entregar uma experiência intensa e assustadora dentro de suas limitações. A ideia de acompanhar um horror sobrenatural através de câmeras corporais policiais é simples, porém eficiente, e cria uma sensação de urgência que mantém o espectador envolvido do início ao fim. Apesar de alguns clichês e da falta de desenvolvimento dos personagens, o filme compensa com atmosfera, ritmo e boas sequências de tensão.
NOTA: 4 | de 5
★★★★☆

POV: Presença Oculta está em exibição nos cinemas, com distribuição da Imagem Filmes


