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Crítica | Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito inicia sua trilogia final em grandioso espetáculo cinematográfico

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito’ chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 11 de setembro, marcando o início da trilogia final de uma das franquias mais populares e impactantes da atualidade. Este longa oferece uma experiência pensada inteiramente para o cinema. Com 2h35 de duração, a direção de Haruo Sotozaki e a excelência visual do estúdio Ufotable transformam o arco homônimo do mangá de Koyoharu Gotouge em um espetáculo grandioso e, sobretudo, emocional.

O palco dessa nova fase é o próprio Castelo Infinito, um ambiente que é personagem por si só: labiríntico, mutável, quase vivo. Sob o comando da Quarta Lua Superior, Nakime, as paredes e corredores se dobram e se contorcem como se fossem um quebra-cabeça em movimento, criando uma atmosfera de opressão e constante instabilidade. É nesse cenário que Tanjiro, os Hashiras e o Corpo de Caçadores mergulham em confrontos decisivos contra as temidas Luas Superiores.

Ao contrário de um prólogo lento ou explicativo, o filme inicia já em ritmo de urgência, jogando o público em batalhas de alta intensidade. E se o espetáculo visual impressiona, o que mantém o coração da narrativa é a construção emocional dos personagens. Haruo Sotozaki consegue equilibrar momentos de pura adrenalina com passagens introspectivas que dão profundidade a aliados e inimigos.

No núcleo dos heróis, Tanjiro continua a ser o fio condutor da trama, um protagonista que cresce não apenas em força, mas em maturidade e senso de responsabilidade. Sua relação com Nezuko permanece como a âncora afetiva da franquia, e mesmo com uma participação mais pontual, a jovem demônio garante momentos cruciais. Os Hashiras, por sua vez, brilham em sequências solo, cada qual explorando seu estilo único de combate. Vale destacar Zenitsu, que surpreende ao revelar uma nova forma da Respiração do Trovão, em uma cena coreografada com perfeição e carregada de impacto emocional.

Tanjiro assume definitivamente o papel de protagonista maduro, muito diferente do jovem inexperiente que vimos no início da franquia. Logo nas primeiras sequências, fica evidente que ele não é mais apenas um aprendiz sob a sombra dos Hashiras, agora ele luta lado a lado com eles, sendo reconhecido como um guerreiro capaz de enfrentar os maiores desafios. Dentro do labirinto vivo que é o Castelo Infinito, Tanjiro demonstra não só domínio de suas técnicas, mas também uma enorme evolução emocional.

Giyu demonstra todo o potencial de suas técnicas da Respiração da Água em batalhas que exigem precisão, frieza e resistência. Seu combate mais memorável é ao lado de Tanjiro, onde vemos não apenas sua habilidade em ação, mas também uma evolução importante em sua relação com o protagonista. Se no início da série havia certa distância e formalidade entre eles, aqui fica claro que Giyu reconhece Tanjiro como um verdadeiro companheiro de luta. Ver Giyu Tomioka e Tanjiro Kamado lutando lado a lado dentro do Castelo Infinito é fascinante. A cena vai além da ação frenética: existe um peso emocional enorme em ver o reconhecimento de Giyu pela determinação de Tanjiro.

Um dos grandes méritos do longa é humanizar os antagonistas. O passado de Akaza, por exemplo, ganha um desenvolvimento que transcende a figura do vilão: sua dor, suas escolhas e suas perdas o aproximam do público de uma maneira inesperada. Muitos espectadores na pré-estreia se emocionaram com a revelação de sua origem, em uma das passagens mais tocantes da obra. Já Doma representa o extremo oposto, frio, sádico e manipulador, trazendo um contraste sombrio que eleva ainda mais as batalhas.

Foto: Orlando Naninho | Pré estreia Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito

A versão brasileira de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito mostra mais uma vez por que a dublagem nacional conquistou tantos fãs. O trabalho vai além da simples adaptação: cada voz foi escolhida para reforçar a identidade dos personagens e intensificar a carga emocional da história.

 Daniel Figueira transmite com precisão a essência de Tanjiro Kamado, equilibrando a empatia natural com a maturidade que ele conquista ao longo da jornada. Já Tatiane Keplmeir dá vida a Shinobu Kocho com um timbre delicado, mas firme, que traduz a serenidade e a força da Hashira.

André Sauer, dublador de Giyu, reforça o tom contido do personagem, com uma voz firme e controlada que transmite calma até nos momentos mais desesperadores. Essa interpretação ajuda a dar profundidade ao Hashira, que poderia parecer apenas “frio”, mas que no filme mostra nuances emocionais sutis.

Entre os vilões, a dublagem ganha ainda mais destaque. Charles Emmanuel emociona ao interpretar Akaza, revelando toda a dor escondida por trás de sua crueldade. Seus momentos de flashback são de uma intensidade rara, capazes de humanizar o personagem sem suavizar sua brutalidade. Em contraste, Fábio Lucindo entrega um Doma frio e sarcástico, cuja voz reforça a aura de crueldade e desconforto que o vilão carrega.

O elenco completo da dublagem traz ainda mais talento, com interpretações que impressionam em cada cena. O resultado é uma dublagem que não apenas acompanha o impacto visual do filme, mas o amplia, oferecendo ao público brasileiro uma experiência tão imersiva quanto a original.

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito reafirma o patamar em que a Ufotable se encontra dentro da indústria da animação. Cada golpe, cada respiração, cada transformação visual é pensada para ser maior do que a vida, mas sem perder a clareza narrativa. A fotografia, os efeitos de luz e a fluidez da animação tornam as batalhas não apenas compreensíveis, mas também belíssimas, transformando a violência em espetáculo visual.

No fim, este primeiro capítulo da trilogia final não é apenas mais um filme de ação. É uma celebração da jornada de Tanjiro e seus companheiros, uma homenagem aos fãs que acompanharam cada batalha desde o início e um aviso claro de que o desfecho será grandioso.

“Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito” emociona, impressiona e prepara o terreno para um clímax que promete entrar para a história do anime nos cinemas. Se o objetivo era abrir a fase final da saga em grande estilo, a missão foi cumprida com maestria.

NOTA:  5 / de 5

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito chega aos cinemas brasileiros no dia 11 de setembro, com sessões dubladas e legendadas.

Criador de conteúdo do ON Pop Life, é apaixonado por cinema, cultura geek e pop japonesa. Atua há mais de 10 anos na cobertura de eventos, shows e já organizou eventos de anime.