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Crítica | Alerta Apocalipse mistura terror e humor em ritmo confortável

Dirigido por Jonny Campbell e adaptado por David Koepp a partir de seu próprio romance, Alerta Apocalipse parte de uma premissa clássica da ficção científica: a ameaça invisível que pode colocar o planeta em risco. Aqui, o perigo assume a forma de um fungo mutante de origem extraterrestre, capaz de dizimar a humanidade se escapar do controle.

A história tem início em um evento real. Em 1979, destroços da estação espacial Skylab caíram sobre a Austrália Ocidental. O roteiro propõe uma variação inquietante desse fato histórico: e se um desses fragmentos tivesse trazido à Terra um microrganismo mortal? É a partir dessa ideia que o filme constrói sua mitologia e estabelece o tom entre o absurdo científico e o terror bem-humorado.

Vinte anos depois de o fungo ter sido contido pelo militar Robert Quinn (Liam Neeson) e sua parceira Trinny Romano (Lesley Manville), a ameaça parece sob controle, armazenada em um depósito isolado nos Estados Unidos. O problema surge quando o aumento da temperatura desperta o organismo, transformando uma noite comum em um pesadelo.

É nesse cenário que conhecemos Travis (Joe Keery), um guarda de segurança azarado e carismático, e Naomi (Georgina Campbell), que enfrenta sua primeira noite de trabalho no local. Sem preparo algum para o que está por vir, os dois se tornam heróis improváveis, tentando sobreviver enquanto o fungo se espalha e o caos toma conta das instalações.

Antes mesmo da ação explodir, o filme acerta ao trabalhar a tensão da antecipação. O público sabe que algo terrível vai acontecer, enquanto os personagens seguem alheios ao perigo iminente. Esse suspense inicial funciona melhor do que muitas das cenas mais explosivas, criando um clima eficiente de ameaça constante.

O tom do longa abraça uma estética retrô, misturando terror corporal, ficção científica e humor. Há ecos de produções dos anos 80 e 90, com maquiagem grotesca, efeitos práticos evidentes e um vírus que não economiza em explosões sangrentas. O filme nunca tenta parecer mais sério do que realmente é, isso joga a seu favor.

O grande trunfo, sem dúvida, é o elenco. Joe Keery confirma mais uma vez seu talento para personagens desajeitados e cativantes, carregando boa parte do filme com carisma natural e ótimo timing cômico. Georgina Campbell equilibra bem frieza técnica e vulnerabilidade, criando uma parceira convincente tanto na sobrevivência quanto no romance que surge em meio ao caos.

Liam Neeson adiciona peso dramático à narrativa. Sua atuação funciona como o elo entre o passado e o presente, trazendo uma gravidade seca que ajuda a sustentar a ameaça global. É um papel que foge um pouco do arquétipo de ação recente do ator e se beneficia disso.

O roteiro, porém, não mantém o mesmo nível o tempo todo. O humor funciona em momentos pontuais, mas não é constante, e o suspense nem sempre alcança o impacto necessário para tornar o filme realmente memorável. Ainda assim, o ritmo é ágil, a experiência é fluida e o filme jamais se torna cansativo.

Alerta Apocalipse não pretende reinventar o terror ou a ficção científica, mas acerta ao compreender com clareza o tipo de experiência que deseja oferecer. Consciente de suas próprias limitações, o filme se apoia com inteligência no carisma do elenco, em uma premissa instigante e em um charme retrô assumidamente despretensioso. Embora o roteiro pudesse arriscar mais para se tornar memorável, o resultado final é um entretenimento sólido, simpático e envolvente, daqueles que funcionam muito bem para uma sessão e deixam uma impressão mais positiva do que o esperado.

NOTA:  4,5 | de 5
★★★★½

Alerta Apocalipse já está em cartaz exclusivamente nos cinemas, oferecendo uma experiência que equilibra tensão, humor e entretenimento do começo ao fim.

Elenco:
Liam Neeson …………… Robert Quinn
Joe Keery …………… Travis Meacham (Teacake)
Georgina Campbell …………… Naomi Williams
Lesley Manville …………… Trini Romano
Vanessa Redgrave …………… Ma Rooney
Sosie Bacon …………… Dr. Hero Martins
Darrell D’Silva …………… The Rev
Daniel Rigby …………… Anthony
Rob Collins …………… Enos Minjarra
Ellora Torchia …………… Abigail
Aaron Heffernan …………… Mike
Andrew Brooke …………… Greg

Ficha Técnica:
Direção: Jonny Campbell
Roteiro: David Koepp, baseado no livro Contágio (Cold Storage)
Produção: Gavin Polone e David Koepp
Fotografia: Tony Slater Ling
Montagem: Billy Sneddon
Desenho de Produção: Elena Albanese
Figurino: Nicoletta Ercole
Música: Mathieu Lamboley
Casting: Julie Harkin e Nathan Toth
País e ano de produção: Reino Unido, 2025
Produção: StudioCanal, HunkyDory Films e Pariah Films
Distribuição no Brasil: Imagem Filmes

Criador de conteúdo do ON Pop Life, é apaixonado por cinema, cultura geek e pop japonesa. Atua há mais de 10 anos na cobertura de eventos, shows e já organizou eventos de anime.