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CCBB Rio apresenta a maior mostra já realizada no Brasil sobre Sarah Maldoror

Retrospectiva destaca o cinema anticolonial da diretora e exibe pela primeira vez no Rio a cópia restaurada de “Sambizanga” (1972)

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ) recebe, de 19 de fevereiro a 16 de março de 2026, a mostra O cinema anticolonial de Sarah Maldoror, uma ampla retrospectiva dedicada à trajetória de uma das figuras mais relevantes do cinema africano e do cinema realizado por mulheres. Com patrocínio do Banco do Brasil e realização do Governo do Brasil, a programação também passa pelo CCBB São Paulo (21 de fevereiro a 22 de março) e pelo CCBB Salvador.

Reconhecida como pioneira e como uma das principais divulgadoras dos intelectuais da Négritude, Sarah Maldoror (1929-2020) construiu uma filmografia marcada pelo engajamento político e pela força poética. Filha de pai guadalupense, a cineasta francesa aproximou-se dos movimentos de libertação de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde, transformando em imagens as lutas por independência no continente africano. Ao longo da carreira, dirigiu mais de quarenta filmes entre curtas, longas, ficções e documentários, sempre ressaltando o protagonismo feminino nos processos revolucionários.

A retrospectiva no CCBB RJ é considerada a mais abrangente já realizada no país sobre sua obra. Ao todo, serão exibidos 24 títulos, 14 assinados por Maldoror e outros 10 de cineastas com quem dialogou ou colaborou. Entre os destaques está a primeira exibição no Rio de Janeiro da versão restaurada de “Sambizanga” (1972), recuperada em um trabalho que envolveu a Film Foundation e a Cinemateca de Bolonha. O público também poderá conferir, em estreia mundial, versões restauradas de parte significativa de sua produção televisiva.

A sessão de abertura será justamente com “Sambizanga”, às 17h30. O longa, premiado no Festival de Berlim, acompanha a trajetória de um homem preso e torturado sob suspeita de envolvimento com um grupo revolucionário. Após a exibição, haverá conversa com a pesquisadora Janaína Oliveira e com Henda Ducados, filha caçula da diretora e ensaísta do jornal feminista Another Gaze.

A programação inclui ainda obras de outros realizadores ligadas ao percurso de Maldoror, como “A Batalha de Argel” (1966), de Gillo Pontecorvo, no qual atuou como assistente, além de “Sem sol” (1982) e o episódio 7 de “A herança da coruja” (1989), de Chris Marker, que utilizam imagens filmadas por ela.

Mesmo com uma produção extensa, Sarah Maldoror deixou cerca de quarenta projetos inacabados. Um deles, o roteiro de “As garotinhas e a morte”, ganha leitura dramática no dia 1º de março, sob direção da cineasta Safira Moreira. A mostra também exibe “Cais” (2025), primeiro longa de Safira, propondo conexões entre o legado de Maldoror e o trabalho de cineastas negras da América Latina.

Além das sessões, o evento promove o curso Arquivos do cinema de mulheres, dividido em duas partes e ministrado por Anita Leandro e Ana Paula Alves Ribeiro, com inscrições por ordem de chegada.

Com curadoria de Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon, a mostra aposta no diálogo entre continentes e experiências históricas. “Acreditamos muito no encontro dos filmes da Sarah Maldoror com o público do Rio de Janeiro. Há diversos paralelos entre as realidades africanas e afro-diaspóricas que ela filmou, na África, nas Antilhas e na Europa, e no Brasil”, diz Lúcia Monteiro.

Mostra O cinema anticolonial de Sarah Maldoror
Período: 19 de fevereiro a 16 de março de 2026
CCBB Rio de Janeiro – Cinema I (térreo)
Entrada Gratuita
Ingressos disponíveis a partir das 9h do dia de cada sessão/atividade na bilheteria física e no site do CCBB
Classificação indicativa: 14 anos

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ)
Rua Primeiro de Março, 66, Centro – Rio de Janeiro / RJ
Contato: (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br 
Mais informações em bb.com.br/cultura

Confira a programação completa aqui

Criador de conteúdo do ON Pop Life, é apaixonado por cinema, cultura geek e pop japonesa. Atua há mais de 10 anos na cobertura de eventos, shows e já organizou eventos de anime.