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‘O Riso e a Faca’ acumula prêmios e se firma entre os destaques do cinema recente

Desde sua estreia no circuito internacional, O Riso e a Faca vem construindo uma trajetória marcada por prestígio e debate. Dirigido por Pedro Pinho, o longa ultrapassou o status de aposta autoral para se tornar uma das produções mais comentadas do último ano, reunindo premiações, críticas entusiasmadas e espaço em seleções importantes da imprensa especializada.

A produção ganhou força logo após sua exibição na mostra Un Certain Regard, durante o Festival de Cannes 2025, onde a atriz Cleo Diára foi reconhecida com o prêmio de Melhor Atriz. A partir daí, o filme seguiu ampliando seu alcance, passando por festivais e consolidando sua presença em rankings influentes, como o da Cahiers du Cinéma, que o incluiu entre os destaques do ano.

Ambientado na África Ocidental e filmado entre a Mauritânia e a Guiné-Bissau, o longa acompanha um engenheiro europeu enviado por uma ONG para avaliar os impactos ambientais de uma obra de infraestrutura. O que começa como uma missão técnica se transforma em um mergulho em relações humanas complexas, onde questões de poder, pertencimento e identidade ganham protagonismo. Ao lado de Cleo Diára, o elenco conta com Sergio Coragem e Jonathan Guilherme, formando um trio que conduz a narrativa por caminhos muitas vezes desconfortáveis.

A força do filme está justamente em sua recusa a simplificações. Em vez de oferecer respostas fáceis, a obra investiga as ambiguidades das relações entre Europa e África, especialmente no contexto contemporâneo de atuação de ONGs e influências econômicas. A abordagem evita tanto a romantização quanto a condenação direta, optando por explorar zonas cinzentas e tensionar o olhar do espectador.

Esse tratamento mais complexo do tema chamou a atenção da crítica internacional. Publicações como Le Monde e IndieWire destacaram a ambição e a escala do projeto, enquanto análises independentes ressaltaram a maneira como o filme discute o chamado “neocolonialismo” a partir de perspectivas contemporâneas, incluindo questões afetivas, culturais e políticas. Além do reconhecimento crítico, o longa também acumula prêmios em festivais, como no Festival Internacional de Cinema de Cartagena, onde recebeu o prêmio de Melhor Contribuição Artística. Esse percurso reforça o alcance internacional da produção, que reúne talentos de diferentes países, incluindo uma participação significativa do Brasil na equipe.

Com estreia marcada nos cinemas brasileiros, O Riso e a Faca chega ao país cercado de expectativa. Trata-se de uma obra que provoca, questiona e amplia discussões, um tipo de cinema que não apenas conta uma história, mas convida o público a encarar realidades complexas e, muitas vezes, desconfortáveis

FICHA TÉCNICA
Direção | Pedro Pinho
Roteiro | Pedro Pinho, com colaboração de Miguel Seabra Lopes, José Filipe Costa, Luísa Homem, Marta Lança, Miguel Carmo, Tiago Hespanha, Leonor Noivo, Luis Miguel Correia e Paul Choquet
Elenco | Sérgio Coragem, Cleo Diára, Jonathan Guilherme, Renato Sztutman, Jorge Biague, Bruno Zhu, Kody McCree e Everton Dalman
Produção | Filipa Reis, Tiago Hespanha, Tatiana Leite, Juliette Lepoutre, Pierre Menahem, Ioana Lascăr e Radu Stancu
Direção de Produção | Eduardo Nasser
Fotografia | Ivo Lopes Araújo
Montagem | Rita M. Pestana, Karen Akerman, Cláudia Oliveira e Pedro Pinho
Direção de Arte e Figurino | Camille Lemonnier, Livia Lattanzio e Ana Meleiro
Maquiagem e Cabelo | Ami Camará
Som | Jules Valeur
Edição de Som | Pablo Lamar
Produção | Uma Pedra no Sapato e Terratreme (Portugal), Bubbles Project (Brasil), Still Moving (França), De Film (Romênia)
Produção Associada | Rodrigo Letier (Kromaki Filmes), Geba Filmes e Maison des Cinéastes
Ano e Países de Produção | Portugal / Brasil / Romênia / França, 2025
Duração | 212 min
Distribuição no Brasil | Vitrine Filmes

Criador de conteúdo do ON Pop Life, é apaixonado por cinema, cultura geek e pop japonesa. Atua há mais de 10 anos na cobertura de eventos, shows e já organizou eventos de anime.