O Brasil se despede de uma de suas vozes mais marcantes. Faleceu nesta quinta-feira (5), aos 72 anos, o ator e dublador Ricardo Schnetzer, referência absoluta na dublagem nacional e conhecido por dar voz a astros como Tom Cruise, Richard Gere, Nicolas Cage, Al Pacino e John Cusack. O artista estava afastado do trabalho enquanto tratava uma Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa progressiva que afeta o sistema nervoso e provoca paralisia motora irreversível.
No universo das animações, sua voz marcou gerações ao dar vida a personagens icônicos como o Capitão Planeta, o arqueiro Hank, de Caverna do Dragão, o vilão Slade, de Jovens Titãs, e Albafica de Peixes, de Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas. Nos últimos anos, também integrou o universo Star Wars, emprestando sua voz ao lendário Boba Fett em produções para o streaming.
Diagnosticado com ELA, Schnetzer vinha enfrentando a doença longe dos estúdios. Em janeiro, amigos e admiradores organizaram uma vaquinha online, com meta de R$ 200 mil, para auxiliar nos custos do tratamento. A arrecadação ultrapassou R$ 118 mil, refletindo o carinho e o reconhecimento do público por sua trajetória.

Nascido no Rio de Janeiro, em 13 de abril de 1953, Ricardo Schnetzer iniciou sua carreira ainda na década de 1970 e construiu um legado impressionante. Sua voz se tornou inseparável de personagens icônicos do cinema, como Tony Montana, vivido por Al Pacino em Scarface; o piloto Maverick, de Tom Cruise, em Top Gun: Ases Indomáveis; Edward Lewis, personagem de Richard Gere em Uma Linda Mulher; e Carlos Daniel, interpretado por Fernando Colunga na novela mexicana A Usurpadora.
Colegas de profissão frequentemente o descreviam como um mestre da técnica, admirado pela precisão, pela interpretação refinada e pela capacidade de adaptar sua voz às transformações físicas e emocionais dos atores que dublava ao longo dos anos. Sua contribuição ajudou a moldar a identidade da dublagem brasileira e elevou o padrão artístico do setor.
Com a partida de Ricardo Schnetzer, o universo da dublagem perde um de seus pilares, mas seu trabalho permanece vivo, ecoando em personagens que atravessaram décadas e marcaram a memória afetiva de milhões de brasileiros.


