Depois do sucesso inesperado de “Destruição Final” (2020), uma continuação parecia inevitável, ainda que pouco necessária. “Destruição Final 2”, novamente dirigido por Ric Roman Waugh, retoma aquele universo pós-catástrofe cinco anos após o impacto do cometa Clarke, acompanhando a família Garrity em mais uma jornada desesperada por sobrevivência. O problema é que, desta vez, o filme sabe para onde seus personagens estão indo, mas parece menos certo sobre o que quer dizer no caminho.
O longa abandona rapidamente a Groenlândia que nunca foi exatamente o cenário principal do primeiro filme para transformar a narrativa em uma espécie de road movie apocalíptico pela Europa. A nova esperança surge no sul da França, onde um fragmento do cometa teria criado condições ambientais surpreendentemente favoráveis à vida. A ideia é visualmente interessante, mas narrativamente frágil, funcionando mais como motor da trama do que como conceito realmente explorado.
Gerard Butler retorna como John Garrity, novamente sustentando o filme com sua presença sólida e confiável. Morena Baccarin e Roman Griffin Davis também entregam atuações competentes, embora os conflitos familiares que davam alguma densidade emocional ao original estejam bem mais diluídos aqui. Os personagens estão mais endurecidos algo coerente com anos de colapso global, mas essa couraça emocional acaba reduzindo o impacto dramático de várias situações.


Ric Roman Waugh continua eficiente ao criar tensão física imediata. O filme oferece sequências de ação bem construídas, como travessias precárias, confrontos com saqueadores e ambientes instáveis à beira do colapso. Quando o foco está na sobrevivência prática, “Destruição Final 2” funciona. O problema surge quando o roteiro depende excessivamente de conveniências: encontros improváveis, soluções fáceis e detalhes importantes ignorados, como a condição médica de Nathan, relevante no primeiro filme e praticamente esquecida aqui.
Tematicamente, o longa tenta expandir a alegoria sobre mudanças climáticas e deslocamento em massa, agora abordando migração forçada como consequência inevitável de um planeta exaurido. A ideia é pertinente e atual, mas tratada de forma superficial. Em vez de aprofundar esse debate, o filme recorre a situações já conhecidas do gênero pós-apocalíptico, sem atingir o mesmo peso emocional de outras obras consagradas.
Ainda assim, “Destruição Final 2” está longe de ser um tropeço completo. Ele mantém um ritmo funcional, nunca é totalmente desinteressante e demonstra uma compreensão clara de seu público-alvo. Não tem a força emocional do original, mas também não se entrega ao cinismo ou ao completo vazio narrativo que costuma marcar muitas sequências tardias.


“Destruição Final 2” é uma continuação correta, mas dispensável. Funciona como entretenimento de sobrevivência, com boas cenas de tensão e um protagonista carismático segurando a narrativa, porém carece da urgência emocional e da identidade que fizeram o primeiro filme se destacar. Não reinventa o gênero nem justifica plenamente sua existência, mas oferece uma experiência sólida para quem gostou do original ou aprecia thrillers apocalípticos diretos e sem grandes pretensões.
NOTA: 3,5 | de 5
★★★½

Com distribuição da Diamond Films, maior distribuidora independente da América Latina, Destruição Final 2 chega aos cinemas brasileiros em 5 de fevereiro.


