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Crítica | O Começo de um Pesadelo: O Terror Cultural de ‘Crônicas de Exorcismo: O Inicio’

Baseado na aclamada obra Toemarok (Diário de Exorcismo), fenômeno literário com mais de 10 milhões de cópias vendidas e 238 milhões de leituras online, Crônicas de Exorcismo: O Início chega como a primeira adaptação cinematográfica em animação desse universo sombrio.

A produção aposta em uma abordagem ousada: em vez de efeitos realistas ou sustos previsíveis, a narrativa ganha vida através de um estilo visual que mistura sombras intensas, formas distorcidas e texturas que oscilam entre a beleza e o grotesco, criando a sensação de que cada quadro é uma pintura viva, prestes a se romper.

Entre o sagrado e o profano, ele caminha sozinho.

Park já foi médico. Já acreditou na lógica, nos exames, nos remédios. Depois, trocou o jaleco pela batina, movido por um vazio que a ciência não soube preencher. Tornou-se padre. Exorcista. Caçador de sombras. Mas, ao ultrapassar fronteiras que nem mesmo a Igreja ousava tocar, pagou o preço da fé sem limites: foi excomungado, silenciado, esquecido.

Mas o passado, como os mortos, nunca descansa.

Quando um antigo amigo bate à sua porta com um pedido desesperado, Park se vê arrastado de volta ao mundo do oculto. O que começa como mais um chamado logo se transforma em um mergulho profundo em forças ancestrais, rituais esquecidos e assombrações movidas por ódio e dor. No fim, não será apenas a escuridão ao redor que ele terá de enfrentar, mas a que carrega dentro de si desde o primeiro exorcismo.

Um dos pontos mais originais é a forma como o longa equilibra tradições. O roteiro mescla elementos do cristianismo, do budismo e de rituais animistas, transformando o exorcismo em um ato de convergência cultural e espiritual. Sem depender de sustos fáceis, o terror aqui nasce da dúvida, da solidão e da sensação de estar diante de algo invisível, mas inevitável. O resultado é um filme que não apenas assusta, mas provoca reflexão sobre fé, identidade e a eterna luta entre luz e trevas.

A principal dificuldade do filme está na tentativa de condensar um universo tão amplo em um único longa, o que acaba comprometendo a narrativa. A trama transita entre diversos núcleos, introduzindo personagens e conflitos de forma rápida, o que pode dificultar o acompanhamento para alguns espectadores. Com tantos elementos disputando atenção, nem todas as linhas narrativas têm espaço para se desenvolver plenamente. Isso pode gerar uma sensação de pressa, com transições que deixam pouco tempo para o público se conectar com a história ou com os personagens.

Apesar disso, a animação entrega sequências de ação intensas e visuais impressionantes. E como o próprio título sugere, esse é apenas o ponto de partida. O arco narrativo abre portas para a construção de um universo expandido, que pode render novas histórias, novos inimigos e novas batalhas interiores. Há um claro apelo para quem aprecia fantasia sombria e animação estilizada, o que pode garantir uma experiência divertida para os fãs do gênero.

Crônicas de Exorcismo: O Início é, portanto, mais que um filme de terror. É um convite para mergulhar em um imaginário coreano pouco explorado no cinema mundial, e o começo de uma franquia que promete se tornar referência no gênero.

Diretor: Kim Dong-Chul
Duração: 1h 25m
Idioma Original: Coreano
Produtora: Locus
Gêneros: Terror, Animação, Fantasia
Autor: Lee Woo-hyouk

NOTA:  4 | de 5

Com distribuição da Cinecolor Films, o longa estreia exclusivamente nos cinemas brasileiros no dia 2 de outubro

Trailer dublado

Criador de conteúdo do ON Pop Life, é apaixonado por cinema, cultura geek e pop japonesa. Atua há mais de 10 anos na cobertura de eventos, shows e já organizou eventos de anime.