A nova animação dos Estúdios LAIKA, O Bosque Selvagem, tem uma origem bastante curiosa, que une música independente, literatura e cinema. Inspirado no livro Wildwood, escrito por Colin Meloy, vocalista da banda The Decemberists, o longa é resultado de um projeto que começou a ser desenvolvido há mais de uma década e meia, muito antes de chegar às telonas.
Com direção de Travis Knight e roteiro de Chris Butler, a produção utiliza a tradicional técnica de animação em stop-motion, conhecida em outros trabalhos do estúdio, como Coraline e o Mundo Secreto. O filme estreou nos cinemas brasileiros no dia 29 de outubro, com distribuição da Imagem Filmes.
A relação entre Colin Meloy e Carson Ellis começou durante os tempos de universidade, em Montana. Enquanto ele seguia sua trajetória musical, ela desenvolvia seu trabalho artístico e chegou a criar cartazes para uma antiga banda do músico.
Em 2000, Meloy se mudou para Portland, no Oregon, e fundou o The Decemberists. A partir daí, Carson passou a participar diretamente da identidade visual do grupo, ilustrando a arte do EP 5 Songs (2001) e do primeiro álbum de estúdio, Castaways and Cutouts (2002). Desde então, tornou-se responsável pelas capas de diversos lançamentos da banda.

A criatividade dos dois também ultrapassou os limites da música. No início dos anos 2000, o casal começou a trabalhar em uma história infantil, embora as primeiras versões estivessem longe de apresentar o formato adequado para esse público. A ideia permaneceu em desenvolvimento enquanto o The Decemberists lançava discos e realizava turnês.
De um parque de Portland para um universo de fantasia
A inspiração definitiva para Wildwood surgiu da proximidade do casal com o Forest Park, uma extensa área verde localizada em Portland. Observando a região, Meloy e Ellis começaram a imaginar como aquele ambiente poderia se transformar em um reino fantástico. Assim nasceu a Floresta Impenetrável, um lugar habitado por criaturas extraordinárias, incluindo animais falantes, personagens misteriosos e um exército de coiotes.
A construção desse universo também apresenta semelhanças com o estilo musical do The Decemberists, conhecido por suas composições que exploram narrativas elaboradas, elementos folclóricos, mitologia e histórias com atmosferas sombrias. Entre os exemplos estão a música “The Mariner’s Revenge Song” e o álbum conceitual The Hazards of Love, lançado em 2009.

O projeto literário começou a despertar o interesse de editoras e produtores cinematográficos antes mesmo de sua publicação. Em 2010, Colin Meloy fechou um contrato com a HarperCollins para desenvolver uma trilogia de livros. O casal tinha uma condição bastante específica para permitir uma adaptação: o filme deveria utilizar animação tradicional desenhada à mão ou stop-motion. A exigência acabou chamando a atenção da LAIKA, estúdio que também tem suas raízes no estado do Oregon.
Travis Knight teve acesso ao manuscrito ainda inacabado e ficou imediatamente interessado em transformar aquela história em filme. A identificação foi tão grande que o cineasta passou a considerar o projeto algo especial para o estúdio.
O primeiro volume, Wildwood, chegou às livrarias norte-americanas em agosto de 2011, acompanhado de 85 ilustrações de Carson Ellis. A obra conquistou espaço na lista de mais vendidos do The New York Times, e a LAIKA anunciou, pouco depois, a aquisição dos direitos para uma adaptação cinematográfica.
A história ganhou mais dois volumes: Under Wildwood (2012) e Wildwood Imperium (2014). No Brasil, o primeiro livro foi publicado pela Galera Record com o título O Bosque Selvagem, em 2014, enquanto a continuação chegou às livrarias em 2016 como O Bosque Subterrâneo.
Transformar o universo criado por Meloy e Ellis em uma animação exigiu um trabalho de grandes proporções. A quantidade de ambientes e detalhes presentes na história representava um desafio considerável para a produção em stop-motion. O roteiro chegou a reunir 136 locações diferentes, um número que demonstra a dimensão visual do projeto. Para efeito de comparação, Kubo e as Cordas Mágicas, outra produção da LAIKA, contou com 60 cenários externos.
Somente em setembro de 2021 o estúdio anunciou oficialmente o longa como seu sexto filme, confirmando Travis Knight na direção e Chris Butler no roteiro. Após novos desafios de produção e adiamentos, a animação finalmente teve sua estreia mundial em outubro de 2026, durante o BFI London Film Festival.

A participação de Colin Meloy não ficou restrita à criação da história original. O músico também preparou uma composição inédita para acompanhar os créditos finais da animação.
Intitulada “The Better Part of Bravery”, a faixa foi lançada como single em 9 de outubro e representa o retorno do The Decemberists com material inédito após mais de dois anos. A música integra a trilha sonora oficial, que também apresenta composições de Dario Marianelli, vencedor do Oscar por Desejo e Reparação.
Outro lançamento relacionado ao filme é The Wildwood Sessions, coletânea divulgada pela LAIKA em 16 de outubro. O álbum reúne trabalhos inéditos de artistas como Aminé, Portugal. The Man, Saya Gray, Still Woozy e quickly, quickly, além de outra composição nova do The Decemberists, chamada “I Want To Be Lost”.
O Bosque Selvagem já está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil, com distribuição da Imagem Filmes.


