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Festival Cine Inclusão 60+ reúne 21 filmes e amplia debate sobre envelhecimento e representatividade

O cinema voltado às experiências da maturidade ganha destaque em São Paulo, Campinas e Santos com a sexta edição do Festival Cine Inclusão 60+ em Foco. Realizado entre 20 e 27 de setembro, o evento terá entrada gratuita e reúne 21 produções brasileiras e internacionais, além de debates, oficinas e atividades voltadas à discussão sobre envelhecimento, diversidade e representatividade no audiovisual.

Pela primeira vez, Santos integra a programação do festival, que também passa por diferentes regiões de São Paulo e Campinas. A seleção reúne filmes de cinco estados brasileiros e seis países, apresentando histórias que abordam relações familiares, memória, sexualidade, racismo, autonomia, afetos e os diferentes desafios enfrentados por pessoas com 60 anos ou mais.

Entre os destaques da abertura estão três produções nacionais. Mulher Papaya, de Camila Tarifa, acompanha Hilda, uma mulher de 70 anos cuja rotina muda a partir da relação com uma cuidadora. O curta chega ao festival após conquistar os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Filme pelo júri da crítica no Festival de Cinema de Gramado. Também fazem parte da abertura Uma Menina, Um Rio, animação de Renata Martins que percorre diferentes fases da vida de uma personagem tendo um rio como elemento central, e Sigo Enquanto Espero, de Isadora Libório, que acompanha Marlene e Péricles, casal que está junto há 66 anos e mantém em sua casa objetos e lembranças de uma vida construída em conjunto.

A programação dedicada a cineastas com 60 anos ou mais ganha espaço na Mostra 60+ em Ação. Com seis filmes, a seleção reúne trabalhos realizados em Rondônia, Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Entre eles está Destino da Pele, de Marcela Bonfim, que aborda uma experiência de racismo vivida na infância e o reencontro com uma pessoa ligada àquele episódio.

A mostra também apresenta Os Encantados, de Adroaldo Almeida; Melodia Ancestral, de Beatriz Costa, sobre a trajetória de um maestro negro da periferia paulistana; Sol a Pino, de Eunice Cunha; Cadeira Vazia, de Marco Madeira; e Suá, a Praia que Sumiu, de Thais Helena Leite, que resgata a história de uma praia de Vitória aterrada durante as transformações urbanas dos anos 1970. Já a Mostra Competitiva Nacional coloca seis produções brasileiras em disputa. A seleção, assinada por Helena Ignez, Jorge Bodanzky e Luiz Carlos Merten, reúne histórias que passam pela música, pelos cuidados familiares, pela imigração, pela sexualidade e pelas transformações sociais.

Entre os filmes está Recife Tem um Coração, de Rodrigo Sena, que acompanha o artista da música brega Silvio Silva em uma tentativa de conseguir um novo equipamento de trabalho. Quem Ficou Fui Eu, de Maria Garé e Luiza Pace, aborda a decisão de uma mulher de deixar o mercado de trabalho para cuidar da mãe diagnosticada com Alzheimer.

A imigração japonesa e questões políticas contemporâneas estão no centro de Moti, de André Okuma. A sexualidade também ganha espaço com O Prazer é Todo Meu, de Vanessa Sandre, que acompanha uma mulher aposentada que, depois de mais de 50 anos em um casamento tradicional, começa a descobrir aspectos de sua própria sexualidade que nunca havia explorado.

Completam a competição Marina Colasanti – Entre a Sístole e a Diástole, de Alessandra Colasanti, construído a partir de arquivos e depoimentos da escritora, e O Último Varredor, de Perseu Azul e Paulo Alipio, sobre um trabalhador que encontra no recolhimento de grãos deixados para trás pelo agronegócio uma forma de sobrevivência.

O olhar internacional do festival aparece em seis curtas-metragens produzidos no Reino Unido, Japão, Índia, Peru, Argentina e Estados Unidos. A seleção apresenta diferentes formas de enxergar o envelhecimento e coloca em discussão temas como amor, autonomia, relações familiares e preconceito. Entre os destaques está Amor à Primeira Vista, de Michael Davies, sobre a aproximação entre dois moradores de uma instituição para idosos. Do Japão vem Homem Dinossauro, de Kazuya Ashizawa, que acompanha os acontecimentos relacionados a uma ferrovia prestes a ser desativada em uma região montanhosa.

A seleção internacional ainda inclui Testemunho de Ana, de Sachin Dheeraj; A Mudança, de Ariana Andrade Castro; a animação Posso Ficar com Ele?, de María Rosario Carlino e Patricia Gualpa; e Não Peça Desculpa, de David Au, que acompanha a reação de uma mulher sul-coreana diante de um ataque motivado por preconceito contra asiáticos. Além das sessões, o festival promove encontros que ampliam as discussões apresentadas pelos filmes. Uma das atividades reúne Luiz Carlos Merten, Jacqueline Durans e a atriz Magali Biff, protagonista de Mulher Papaya, em uma conversa mediada por Imara Reis. O encontro aborda os critérios utilizados na seleção e questões relacionadas à representatividade e à sexualidade.

Outro destaque é o fórum Brasil 60+ sob a Ótica das Mulheres do Audiovisual, realizado em parceria com o Instituto + Mulheres no Museu Lasar Segall, em São Paulo. A iniciativa pretende discutir o crescimento da população com mais de 60 anos e os impactos dessa transformação no audiovisual, incluindo oportunidades profissionais, novos públicos, permanência no mercado, reconhecimento e formas mais diversas de representar o envelhecimento.

A formação também faz parte da programação. As Oficinas de Cinema 60+ reuniram 175 participantes em sete turmas realizadas em diferentes regiões de São Paulo, além de Campinas e Santos. O trabalho desenvolvido durante as oficinas resultou no média-metragem Nossos Sonhos no Cinema, com coordenação, roteiro e direção de Eugenia Cecchini e direção de fotografia e montagem de Cecilia Engels.

Com uma programação que vai além da exibição de filmes, o Festival Cine Inclusão 60+ em Foco utiliza o audiovisual como ponto de partida para discutir como a maturidade é retratada e, principalmente, para ampliar o espaço de pessoas com 60 anos ou mais dentro e fora das telas. A sexta edição reforça a importância de enxergar o envelhecimento não apenas como tema, mas como parte diversa e ativa da sociedade contemporânea.

6º FESTIVAL CINE INCLUSÃO 60+ EM FOCO
Data:
 20 a 27 de setembro de 2026

Cidades: São Paulo, Campinas e Santos

Locais:
São Paulo – Espaço Petrobras de Cinema, Museu Lasar Segall e Cine Favela
Campinas – Cine Terracota e Pavão Cultural
Santos – Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS)

Entrada gratuita
Acessibilidade:
 os filmes contam com recursos de acessibilidade
Mais informações: cineinclusao.com.br

Jornalista profissional MTB nº 0100565/SP e fundador do ON Pop Life. Especializado em Cultura Pop, Geek e Asiática, produz notícias, reviews e coberturas de cinema, games, música, animes e grandes eventos de entretenimento.