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Ana, en Passant conquista o público do Festival de Brasília ao abordar memória, ancestralidade e identidade

O 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro recebeu a première mundial de Ana, en Passant, primeiro longa-metragem da cineasta Fernanda Salgado. Exibido no sábado, 12 de setembro, dentro da Competição Nacional, o filme chamou atenção por combinar diferentes técnicas de animação para construir uma história marcada por memória, afetos, ancestralidade e pela busca de pertencimento.

Coprodução entre Brasil, Portugal e França, a produção utiliza animação 2D, rotoscopia, colagem e stop-motion para acompanhar uma jovem que atravessa fronteiras em busca de respostas sobre sua própria origem. A escolha de diferentes linguagens visuais acompanha as mudanças vividas pela protagonista e transforma lembranças, lugares e histórias familiares em parte da própria narrativa.

A história começa em Paris, onde Ana vive ao lado da avó brasileira. Após a morte da avó, a jovem recebe uma caixa contendo uma carta, alguns objetos, duas chaves e um endereço em Belo Horizonte. O conteúdo desperta sua curiosidade e faz com que ela embarque para o Brasil, determinada a descobrir um capítulo de sua família que até então permanecia desconhecido. A viagem rapidamente deixa de ser apenas uma busca por informações sobre o passado. Ao chegar a Minas Gerais, Ana começa a estabelecer novas conexões e passa a compreender que sua história pessoal está ligada a outras mulheres, outras gerações e diferentes territórios.

Para Fernanda Salgado, essa dimensão afetiva está no centro do projeto. A diretora apresenta Ana, en Passant como uma obra sobre as relações construídas entre mulheres negras de diferentes gerações e sobre os deslocamentos necessários para reencontrar histórias e raízes que foram deixadas para trás.

A cidade de Belo Horizonte ganha papel importante nesse processo. Mais do que servir como cenário, o espaço se transforma em um território de descobertas, onde Ana percorre caminhos que ajudam a reconstruir sua identidade e compreender melhor sua relação com o passado. As técnicas de animação utilizadas pelo filme também funcionam como uma extensão dessa jornada. A combinação entre diferentes estilos visuais permite representar memórias, sensações e mudanças de perspectiva, criando uma experiência que se aproxima tanto do cinema de animação quanto da videoarte.

A recepção durante o festival também destacou justamente a maneira como o longa estabelece conexões entre mulheres negras separadas por tempo e distância. Para o crítico Bruno Carmelo, do portal Meio Amargo, a produção constrói uma relação afetiva que ultrapassa fronteiras e utiliza os mapas como uma metáfora para aproximar personagens e histórias. A crítica ressalta ainda que o filme transforma esses percursos em caminhos de conexão, e não de separação. Já Luiz Zanin, do Estadão, destacou a combinação entre animação e videoarte, além do trabalho dos intérpretes. Entre os nomes mencionados está Carlos Francisco, que participa da produção como um carteiro-filósofo que interfere na trajetória da protagonista.

O elenco conta ainda com Jéssica Pierina, responsável por interpretar Ana, e Zezé Motta, além de Carlos Francisco. A presença dos atores contribui para aproximar a narrativa fantástica e visualmente experimental de questões humanas bastante concretas.

O projeto possui uma trajetória anterior ao longa. Uma versão anterior da proposta, que compartilhava alguns elementos com o filme atual, teve seu roteiro selecionado em 2012 para o Script Station, programa de desenvolvimento de roteiros do Berlinale Talents. Com sua passagem pelo Festival de Brasília, Ana, en Passant apresenta uma história que transforma uma viagem em uma investigação sobre identidade e pertencimento. Ao aproximar Paris e Belo Horizonte, passado e presente, memória individual e experiências coletivas, o longa utiliza a animação para refletir sobre as marcas deixadas pelas gerações anteriores e sobre a importância de reencontrar essas histórias.

ELENCO:
Jéssica Pierina
Zezé Motta
Carlos Francisco
FLIP
Odilon Esteves
Felipe Oládélè
Ana Elisa Gonçalves
Robert Frank
Andrea Rodrigues
Mariah Santos
Mariana de Jesus Moura

FICHA TÉCNICA
Direção, Argumento e Roteiro | Fernanda Salgado
Direção de Animação | Camila Kater
Produção | Fernanda Salgado, Victor Dias, Diogo Carvalho, Nuno Beato, Emmanuel Quillet e Martine Vidalene
Produção Executiva | Fernanda Vidigal e Alessandra Casado
Fotografia | Safira Moreira
Montagem | Paula Santos
Direção de Arte | Marcella Tamayo
Música | Metá Metá
Som Direto | Maru Santos
Desenho de Som | Vitor Coroa

Gênero | animação, drama
Técnicas | animação 2D, rotoscopia, colagem e stop-motion
Empresas Produtoras | Apiário (Brasil)
Empresas Coprodutoras | Sardinha em Lata, Apiário (Portugal) e Midralgar (França)
Produtoras associadas | Carapiá FIlmes (Brasil) e Filmes de Vagabundo (Brasil)
Distribuição | Embaúba Filmes
Duração | 90 minutos
País e ano de produção | Brasil, Portugal, França, 2026

Jornalista profissional MTB nº 0100565/SP e fundador do ON Pop Life. Especializado em Cultura Pop, Geek e Asiática, produz notícias, reviews e coberturas de cinema, games, música, animes e grandes eventos de entretenimento.