A preservação ambiental ocupa um lugar de destaque na programação da 4ª edição do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano. Em sintonia com o Dia Mundial da Conservação da Natureza, celebrado em 28 de julho, o evento reúne uma seleção de filmes que exploram alguns dos principais desafios socioambientais enfrentados pelos países da América do Sul, promovendo reflexões sobre mudanças climáticas, povos originários, biodiversidade e conflitos territoriais.
Ao todo, 12 produções de sete países, Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai disputam as Mostras Competitivas de Longa e Curta-Metragem Ambiental. As exibições acontecem gratuitamente no Auditório Kadiwéu, localizado no Centro de Convenções de Bonito (MS), e os vencedores serão conhecidos na cerimônia de encerramento do festival, marcada para este sábado (1º), quando também será entregue o tradicional Troféu Pantanal.
Para a curadora das mostras ambientais, a documentarista, fotógrafa e jornalista Elis Regina, o espaço dedicado a essas produções reforça o compromisso do festival em ampliar o debate sobre temas urgentes para o continente. “A presença desses filmes é fundamental para ampliar o debate sobre a questão ambiental e dar visibilidade aos conflitos territoriais e à relação dos povos originários com a natureza. O Bonito CineSur escolhe valorizar narrativas que refletem a identidade e os desafios da América do Sul.“

A programação de longas-metragens reúne documentários que percorrem diferentes regiões sul-americanas para retratar impactos ambientais e histórias de resistência. Entre os destaques está Água Invadida, do Uruguai, dirigido por Carolina Sosa, que investiga os efeitos da pesca ilegal nas águas do país. Do Peru, El Camino del Agua, de Víctor César Ybazeta e Matías Magnan, acompanha mulheres de uma comunidade ameaçada pela instalação de um empreendimento de mineração, mostrando a relação entre território, cultura e preservação.
A Argentina participa com Propiedad Privada Prohibido Pasar, documentário de Wojciech Ganczarek que acompanha moradores da Patagônia afetados pela expansão imobiliária e pelo turismo, evidenciando os conflitos pelo acesso à terra.
Representando o Brasil, Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky, codirigido por Liliane Maia, revisita a trajetória do cineasta e sua longa relação com a Amazônia, recuperando imagens históricas registradas há mais de cinco décadas e refletindo sobre as transformações da floresta ao longo do tempo. Também integra a seleção Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres-Peixe, dirigido por Aldira Akay, Beka Munduruku e Ricélia Akay, obra que une documentário e tradição indígena para retratar a conexão do povo Munduruku com as margens do rio Tapajós, no Pará. Fechando a mostra, o colombiano Páramos II – El Origen, de Alejandro Calderón, apresenta um panorama sobre o derretimento das geleiras nos Andes e seus impactos ambientais e sociais, reunindo depoimentos de comunidades indígenas e especialistas.
Durante sua participação no festival, o cineasta Jorge Bodanzky destacou o papel do cinema como instrumento de conscientização. “A questão ambiental se tornou uma das mais importantes da atualidade. Mesmo que as mudanças sejam lentas, acredito que o cinema continua sendo essencial para despertar consciência e incentivar novas atitudes.“
A mostra de curtas-metragens também aborda diferentes perspectivas sobre a crise ambiental na América do Sul. Entre os filmes exibidos estão À Margem do Fim, que retrata as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul em 2024; Lourdes e Leide, sobre as consequências do acidente com o césio-137 em Goiânia; Uma Uñjirinaka Cuidadorxs del Agua, que denuncia a contaminação da bacia do Lago Titicaca; Entre la Sal y el Cielo, focado na preservação das vicunhas diante das mudanças climáticas; Hipopótamos, El Arca de Escobar, que discute o impacto ambiental causado pelos animais introduzidos por Pablo Escobar na Colômbia; e Buen Vivir: Ñutse Canseye, produção equatoriana sobre mulheres indígenas que enfrentam a exploração de petróleo na Amazônia.
Os vencedores das categorias ambientais serão escolhidos por um júri formado pelo cineasta Vincent Carelli, pela produtora e roteirista Minom Pinho e pela escritora e realizadora Olinda Tupinambá. A cerimônia de encerramento será apresentada por Paulo Betti e Valentina Herszage, que também entregarão o Troféu Pantanal a Vincent Carelli em reconhecimento à sua contribuição para o cinema documental.
Realizado entre 24 de julho e 1º de agosto, o Bonito CineSur reafirma sua proposta de valorizar o cinema produzido na América do Sul e estimular o debate sobre questões ambientais, sociais e culturais que impactam diretamente o continente.
Curadores
Mostra de Longas e Curtas sul-americanos: Cecília Diez, José Geraldo Couto e Rodrigo Fonseca
Mostra de Longas e Curtas de cinema ambiental: Elis Regina Nogueira
Mostra de Filmes sul-mato-grossenses: Flávia Seligman e Marcos Pierry
Sessões Infanto-juvenis: Amanda Ruano, Daniela Azeredo e Luciana Druzina
Jurados
Mostra de Longas e Curtas sul-americanos: Celso Franco, Dandara Ferreira e Gabriela Sandoval
Mostra de Longas e Curtas de cinema ambiental: Minom PInho, Olinda Tupinambá, Vincent Carelli
Mostra de Filmes sul-mato-grossenses: Daniela Siqueira, Luiz Carlos Lacerda (Bigode), Solange Bouffay.
Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano 2026
Data: de 24 de julho a 01 de agosto de 2026
Site: bonitocinesur.com.br



