Batalhas podem representar muito mais do que simplesmente descobrir quem é o personagem mais poderoso. Dependendo da história, um confronto pode decidir o futuro da humanidade, revelar as consequências de uma sociedade destruída ou colocar antigos rivais novamente frente a frente. Essa variedade aparece em três títulos do catálogo da NewPOP: “Record of Ragnarok”, “Rei de Lata” e “The King of Fighters: A New Beginning”.
Apesar de seguirem caminhos bastante diferentes, as obras compartilham o interesse por personagens levados aos seus limites. De figuras históricas enfrentando divindades a jovens tentando sobreviver em um ambiente contaminado, passando pelos tradicionais torneios de artes marciais dos videogames, cada série utiliza a ação como parte fundamental de sua narrativa.

Em “Record of Ragnarok”, de Azychika, Shinya Umemura e Takumi Fukui, o prêmio da competição é nada menos que a continuidade da espécie humana. Após os deuses decidirem que chegou o momento de extinguir a humanidade, a valquíria Brunilda apresenta uma última possibilidade de salvação: colocar humanos e divindades para resolver a questão diretamente no campo de batalha.
Começa, assim, um torneio formado por 13 representantes da humanidade contra 13 deuses, em confrontos individuais. A estrutura permite que a obra misture mitologia e história ao colocar nomes como Adão, Jack, o Estripador e Nikola Tesla diante de figuras como Zeus, Loki, Hércules e Shiva. Cada participante chega à arena acompanhado de suas próprias motivações e passado. Os diferentes estilos e habilidades também fazem com que os duelos tenham características próprias, enquanto o placar mantém em aberto o destino da humanidade. A série permanece em publicação no Japão e já conta com 28 volumes.

A ação ganha um cenário completamente diferente em “Rei de Lata”. Criada pelo brasileiro Jefferson Ferreira, a HQ apresenta um mundo que ainda sofre as consequências de uma guerra marcada pelo emprego de armas biológicas.
As crianças que nasceram nas áreas atingidas passaram a desenvolver habilidades relacionadas aos próprios instintos e traumas. Ao mesmo tempo em que possuem poderes, elas são rejeitadas, perseguidas e vistas com desconfiança pelos adultos. Existe, porém, uma contradição importante: justamente esses jovens são capazes de respirar no ambiente contaminado.
Nesse contexto, os combates surgem ligados diretamente à sobrevivência e às cicatrizes deixadas pelo conflito. A obra combina elementos de super-heróis, ação e ficção pós-apocalíptica em uma narrativa brasileira que atualmente possui sete volumes publicados pela NewPOP. A conclusão está prevista para o oitavo volume.

Para quem prefere a estrutura clássica dos jogos de luta, “The King of Fighters: A New Beginning”, de SNK e Kyoutarou Azuma, transporta para os quadrinhos uma das franquias mais conhecidas do gênero.
A competição reúne diferentes equipes e personagens conhecidos dos videogames, incluindo Kyo Kusanagi e Iori Yagami. O mangá aproveita os confrontos para desenvolver acontecimentos e relações que cercam o torneio, oferecendo outra maneira de acompanhar o universo de The King of Fighters além das partidas nos consoles e arcades.
Diferentemente dos outros dois títulos, a coleção está completa. “The King of Fighters: A New Beginning” foi publicada pela NewPOP em seis volumes.
Entre a arena que determina o destino da humanidade, uma sociedade pós-guerra e as rivalidades de um grande torneio, as três séries apresentam propostas bastante distintas para quem procura histórias movidas por confrontos. Em comum, mostram como uma batalha pode funcionar não apenas como espetáculo, mas também como ponto de partida para desenvolver personagens, conflitos e os próprios mundos nos quais essas histórias acontecem.
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