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FILMICCA reúne 13 filmes que abordam política, revoluções e lutas sociais

Em diferentes momentos da história do cinema, questões políticas encontraram espaço nas telas muito além de campanhas eleitorais, partidos ou instituições governamentais. Relações de trabalho, desigualdade, conflitos sociais, direitos civis, autoritarismo e participação popular também se transformaram em matéria-prima para cineastas de diferentes gerações.

Partindo dessa perspectiva e em meio ao período eleitoral, a FILMICCA reuniu 13 produções de seu catálogo que colocam essas discussões no centro de suas narrativas. A seleção atravessa décadas e diferentes cinematografias, reunindo ficção e documentário para observar como decisões políticas e estruturas de poder interferem na vida cotidiana.

Entre os títulos está A Chinesa (1967), de Jean-Luc Godard. O filme acompanha jovens que dividem um apartamento enquanto estudam o maoísmo e discutem caminhos para a revolução e a ação política. Outra visão sobre transformações sociais aparece em Born in Flames (1983). Dirigido por Lizzie Borden, o longa imagina os Estados Unidos uma década depois de uma revolução social-democrata. Apesar das mudanças ocorridas no país, problemas como racismo, sexismo e desigualdade permanecem, levando grupos de mulheres a desenvolver novas formas de mobilização.

As consequências de regimes autoritários aparecem em diferentes pontos da seleção. Produzido por Pedro Almodóvar, o documentário O Silêncio dos Outros (2018), dirigido por Almudena Carracedo e Robert Bahar, acompanha vítimas da ditadura de Francisco Franco e sua busca por responsabilização pelos crimes cometidos naquele período.

A história espanhola também serve de cenário para A Língua das Mariposas (1999), de José Luis Cuerda. Ambientada pouco antes da Guerra Civil Espanhola, a produção constrói sua narrativa a partir da relação entre uma criança e seu professor em uma sociedade que caminha para um período de profunda ruptura.

Já Adeus, Meninos (1987) leva a história para a França ocupada pelos nazistas. Inspirado nas próprias lembranças do diretor Louis Malle, o longa acompanha a convivência entre dois garotos em um internato durante a Segunda Guerra Mundial.

Em A Culpa é do Fidel! (2006), Julie Gavras escolhe a perspectiva infantil para observar as transformações políticas dos anos 1970. Anna vê sua vida mudar quando seus pais se aproximam de movimentos de esquerda e precisa tentar compreender as novas ideias, comportamentos e discussões que passam a fazer parte de sua rotina.

O brasileiro Arábia (2017), dirigido por Affonso Uchôa e João Dumans, encontra questões sociais na trajetória de um trabalhador que passa por diferentes cidades e empregos. A partir de seu diário, a produção constrói um retrato em que trabalho, relações pessoais e mudanças sociais se cruzam. A representação política de mulheres negras é o centro de Sementes: Mulheres Pretas no Poder (2020). Dirigido por Éthel Oliveira e Júlia Mariano, o documentário acompanha candidaturas de mulheres negras nas eleições brasileiras de 2018, no Rio de Janeiro, após o assassinato de Marielle Franco.

Questões de raça, imigração e pertencimento atravessam Pressure (1975), de Horace Ové. Ambientado na Londres dos anos 1970, o filme acompanha um jovem negro, filho de imigrantes de Trinidad, diante do racismo, do desemprego e dos conflitos entre gerações.

A seleção também apresenta Frantz Fanon: Pele Negra, Máscara Branca (1995). Dirigida por Isaac Julien, a produção percorre a trajetória e o pensamento de Frantz Fanon, abordando suas reflexões sobre colonialismo, identidade e racismo.

Dois trabalhos de Mai Masri integram a lista. Filhos do Fogo observa a experiência de crianças durante a Primeira Intifada, enquanto 3000 Noites (2015) acompanha uma professora palestina que dá à luz enquanto está detida em uma prisão israelense.

Completando os 13 títulos está Poder Local, Poder Popular (1970), de Sara Gómez. O documentário acompanha uma eleição realizada em uma comunidade de trabalhadores de uma usina de açúcar em Cuba, direcionando o olhar para a participação política em escala local.

Ao colocar lado a lado produções de épocas e contextos bastante distintos, a seleção da FILMICCA propõe usar o cinema como ponto de partida para refletir sobre poder, democracia, autoritarismo, direitos, representação e organização social, sem limitar a política ao momento de uma eleição.

CONFIRA A LISTA:

A CHINESA (1967), de Jean-Luc Godard

O SILÊNCIO DOS OUTROS (2018), de Almudena Carracedo e Robert Bahar

ARÁBIA (2017), de Affonso Uchôa e João Dumans

BORN IN FLAMES (1983), de Lizzie Borden

ADEUS, MENINOS (1987), de Louis Malle

A CULPA É DO FIDEL! (2006), de Julie Gavras

FILHOS DO FOGO (1991), de Mai Masri

FRANTZ FANON: PELE NEGRA, MÁSCARA BRANCA (1995), de Isaac Julien

A LÍNGUA DAS MARIPOSAS (1999), de José Luis Cuerda

3000 NOITES (2015), de Mai Masri

PRESSURE (1975), de Horace Ové

SEMENTES: MULHERES PRETAS NO PODER (2020), de Éthel Oliveira e Júlia Mariano

PODER LOCAL, PODER POPULAR (1970), de Sara Gómez

PARA LISTA COMPLETA DOS FILMES

Acesse: www.filmicca.com.br
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Jornalista profissional MTB nº 0100565/SP e fundador do ON Pop Life. Especializado em Cultura Pop, Geek e Asiática, produz notícias, reviews e coberturas de cinema, games, música, animes e grandes eventos de entretenimento.