A EXPOCINE 2026 iniciou sua 13ª edição nesta quarta-feira, 30 de setembro, em São Paulo, reunindo diferentes setores da indústria audiovisual. Considerada a maior convenção de negócios de cinema da América Latina, a programação começou com a abertura da Feira de Negócios, além de painéis, oficinas e atividades voltadas aos profissionais do mercado.
O primeiro dia também contou com apresentações dos próximos lançamentos de Sato Company, Warner Bros., Retrato Filmes, Universal Pictures, O2 Play e Sony Pictures, que mostraram parte de seus line-ups previstos para 2026 e 2027.
Neste ano, a EXPOCINE adota como tema “Tela Aberta: Cinema Que Se Move Por Si Só”, propondo uma discussão sobre as mudanças de um mercado no qual salas de cinema, streaming, eventos e novas janelas de distribuição estão cada vez mais conectados.
Entre os primeiros debates esteve “Políticas do Audiovisual – Film Commissions, Mercado e Desenvolvimento”, apresentado pela Spcine. O encontro discutiu como iniciativas municipais e regionais podem estimular novas produções por meio de infraestrutura, formação profissional, incentivos e aproximação entre poder público e empresas do setor.
Anna Paula Montini, Diretora-Presidente da Spcine, destacou a importância das estruturas locais para tornar uma cidade preparada para receber filmagens. O painel contou ainda com Dani Tolomei, José Maurício Fittipaldi e Renato Nery.
A relação entre cinema, público e mercado ganhou espaço em “Tela Aberta: Cinema que se move por si só”. Com Adriana Barbosa, José Octávio Freitas, Marcos Saraiva e Maria Carlota Bruno, o encontro analisou maneiras de fortalecer o audiovisual brasileiro combinando identidade cultural, criatividade e estratégias comerciais. Outro assunto de destaque foi a transformação dos grandes eventos em ferramentas importantes para a divulgação de filmes e outras produções. O painel “Festivalização de Conteúdo: CCXP, Ghibli Fest e Rio2C Escrevem o Novo Manual de Lançamento” analisou como festivais e convenções passaram a participar da construção de expectativa em torno dos lançamentos.

Com Cris Barreto, Otávio Juliato, Victor Sato e Pedro Curi, a conversa mostrou como eventos podem ajudar a formar comunidades antes mesmo da estreia de uma produção. A CCXP foi citada como exemplo dessa mudança ao reunir anúncios, trailers, elencos, estúdios e plataformas diante de milhares de fãs.
A experiência dentro das próprias salas também entrou em discussão. No painel “Telas em Disputa”, representantes da IMAX, Dolby Laboratories e Neolux conversaram sobre tecnologias e formatos premium capazes de ampliar a imersão do espectador. O primeiro dia ainda abordou novos formatos narrativos, utilização de dados na produção audiovisual e mudanças no comportamento das audiências.
A programação segue nesta quinta-feira, 1º de outubro, com novos encontros dedicados ao futuro da indústria. Entre os temas estão novos modelos de negócio para salas de cinema, acessibilidade para pessoas com deficiência, regulamentação dos serviços de streaming, marketing de filmes no TikTok, utilização de LED na produção e exibição e coproduções internacionais envolvendo o cinema brasileiro.
As atividades formativas também continuam com oficinas sobre os impactos da reforma tributária no setor audiovisual e estratégias digitais para aumentar a venda de ingressos, abordando a utilização de dados, tecnologia, publicidade e ferramentas online.

A EXPOCINE 2026 acontece em dois pontos da Avenida Paulista. O Espaço Center 3 de Eventos concentra a Feira de Negócios, treinamentos e painéis, enquanto o Cine Marquise, localizado no Conjunto Nacional, recebe oficinas e apresentações das distribuidoras.
Com uma programação construída a partir dos pilares educativo, estratégico e de mercado, a edição deste ano procura discutir os caminhos de uma indústria que precisa acompanhar novas tecnologias e hábitos de consumo sem deixar de pensar no futuro da experiência coletiva nas salas de cinema.


