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Retratos da Várzea leva histórias do futebol amador de Belo Horizonte à 50ª Mostra de SP

Muito além das partidas disputadas nos campos das periferias de Belo Horizonte, existe uma rede formada por jogadores, moradores, trabalhadores e dirigentes que mantém vivo o futebol de várzea. É esse universo que ganha espaço em Retratos da Várzea, documentário de Lucas Campolina selecionado para a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, realizada entre 15 e 29 de outubro de 2026.

O longa acompanha quatro personagens cujas trajetórias revelam diferentes lados do futebol amador mineiro. Damião enfrenta as consequências da privatização do campo utilizado por sua equipe, enquanto Jana tenta encontrar um novo time para continuar jogando. Já Balotelli recebe a oportunidade de integrar uma “barca” de atletas e precisa conquistar espaço diante de um novo patrão. Completando esse mosaico está o Capitão Eduardo Futebol Clube, o CP, equipe capaz de mobilizar a comunidade ao seu redor.

As quatro histórias ajudam a mostrar que a várzea não começa nem termina quando o juiz apita. Para que os clubes continuem existindo, seus integrantes precisam conciliar partidas, empregos e responsabilidades pessoais. Presidentes de equipes também trabalham como garis, cozinheiras assumem o papel de artilheiras e jogadores dividem o tempo entre campeonatos e suas profissões.

Fora das quatro linhas, bingos, mutirões e outras iniciativas organizadas pelos próprios moradores contribuem para manter clubes e campos em funcionamento. Dessa maneira, o futebol aparece como parte da identidade dos bairros e como um espaço de convivência construído coletivamente.

Retratos da Várzea também aproxima problemas enfrentados pelo futebol amador de discussões presentes no esporte profissional. Privatização de campos, pressão econômica, disputa por espaços e processos de elitização surgem no documentário a partir da realidade de quem depende diretamente desses locais para jogar, trabalhar e manter vínculos com a comunidade.

A preservação dos campos e dos clubes, portanto, ganha uma dimensão que ultrapassa o esporte. Ao acompanhar seus personagens no cotidiano, o filme observa como território, acesso, trabalho e pertencimento estão ligados à sobrevivência desse cenário cultural.

Segundo o diretor Lucas Campolina, a intenção foi justamente observar as pessoas responsáveis por fazer a várzea continuar existindo, sem limitar o olhar às partidas. O projeto procura apresentar o futebol amador como uma manifestação cultural cercada por relações sociais que permanecem ativas antes e depois dos jogos.

Campolina é cofundador da produtora mineira Olada e trabalha como diretor, produtor, montador e colorista. Entre seus trabalhos anteriores estão os curtas O Golpe em 50 Cortes ou A Corte em 50 Golpes, de 2017, finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, e O Elixir, lançado em 2020.

O cineasta também participou como produtor, corroteirista e montador de Lutar, Lutar, Lutar, documentário sobre a trajetória do Atlético-MG que passou por festivais internacionais como o Festival Internacional de Cinema de Roterdã (IFFR) e o BAFICI.

Em Retratos da Várzea, Lucas Campolina divide o roteiro com Sérgio Borges. A produção é da Olada, em coprodução com a Anavilhana.

Selecionado para a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o documentário terá suas datas, horários e locais de exibição anunciados na programação oficial do festival. Depois da passagem pelo evento paulistano, Retratos da Várzea seguirá para os cinemas brasileiros em novembro, com distribuição da Embaúba Filmes.

FICHA TÉCNICA
RETRATOS DA VÁRZEA
(Brasil, 2026, 76’)
Direção: Lucas Campolina
Roteiro: Lucas Campolina e Sérgio Borges
Produção: Luana Melgaço e Mariana Andrade
Direção de produção: Paula Kimo
Direção de fotografia: Bené Machado
Elenco: Damião Elias, Jana Rodrigues, Jean Balotelli, Capitão Eduardo Futebol Clube
Pesquisa: Fábio Marcelino e Lucas Campolina
Montagem: Luiz Pretti
Som direto: Vitor Brandão
Desenho de som e mixagem: Pablo Lamar
1ª assistência de câmera: Daniela Cambraia e Sarah Cambraia
Assistência de direção: Mariana Andrade e Ágata Cinem
Preparação de elenco: Kelly Crifer
Design gráfico: Filipe Lampejo
Produção: Olada
Coprodução: Anavilhana

Jornalista profissional MTB nº 0100565/SP e fundador do ON Pop Life. Especializado em Cultura Pop, Geek e Asiática, produz notícias, reviews e coberturas de cinema, games, música, animes e grandes eventos de entretenimento.