Uma descoberta científica capaz de abrir novos caminhos para o tratamento do alcoolismo acaba colocando uma pesquisadora e sua família em perigo em Oceânico, novo longa-metragem dirigido por Guilherme Coelho. Protagonizado por Ana Carbatti, o filme combina drama familiar e suspense ao acompanhar uma cientista que vê seu trabalho despertar interesses que ultrapassam os limites da universidade.
Selecionado para a Première Brasil do Festival do Rio 2026, Oceânico terá sua estreia mundial em 2 de outubro e integra a competição de longas-metragens de ficção.
No centro da história está Adyr, neurocientista de uma universidade pública que se dedica a pesquisas envolvendo o uso de psicodélicos no tratamento do alcoolismo. A doença também faz parte de sua história pessoal: seu marido morreu em decorrência da dependência, transformando a busca científica da protagonista em uma jornada atravessada por questões profissionais e familiares.
Quando seu trabalho começa a apresentar resultados promissores, porém, a situação toma outro rumo. A pesquisa chama a atenção de um grupo interessado em se apropriar da descoberta, colocando Adyr diante de uma rede de interesses e ameaças. Sem saber exatamente em quem pode confiar, ela precisa encontrar uma maneira de continuar seu trabalho enquanto tenta preservar a própria vida e proteger seu filho.
A ciência funciona, assim, como um dos principais motores da narrativa. O roteiro se apoia em estudos sobre medicina psicodélica, incluindo pesquisas relacionadas à ayahuasca, para construir o universo profissional da protagonista.

Para aproximar a ficção desse campo de estudo, a produção contou com a colaboração do neurocientista Sidarta Ribeiro, pesquisador conhecido por seus trabalhos relacionados a substâncias psicoativas e seus possíveis usos medicinais. Além da consultoria científica, Ribeiro também participa do elenco interpretando o falecido marido de Adyr.
Oceânico marca ainda um retorno de Guilherme Coelho ao tema do alcoolismo. O cineasta já havia abordado o assunto no documentário Luz Acesa e, desta vez, utiliza a ficção e elementos de thriller para discutir não apenas a dependência, mas também os conflitos familiares, a pesquisa acadêmica e as pressões políticas e econômicas que surgem ao redor de uma descoberta científica.
Segundo Coelho, o projeto também foi concebido como uma forma de dialogar com questões políticas do Brasil contemporâneo. O diretor relaciona a história àquilo que descreve como avanço do autoritarismo e ao processo de “milicianização” do Rio de Janeiro, colocando o pensamento crítico e a resistência representados pelo laboratório da protagonista entre os elementos centrais de sua leitura do filme.
A relação entre mãe e filho também ocupa espaço importante na narrativa. Para a produtora Mariana Ferraz, o longa aproxima questões políticas de uma experiência íntima ao explorar uma maternidade marcada por afetos, conflitos, escolhas e pelas contradições existentes fora do ambiente familiar.
Já a produtora Tatiana Leite, da Bubbles Project, destaca a discussão sobre saúde pública e o papel atribuído à ciência dentro da história. O projeto foi desenvolvido com recursos do edital de Núcleos Criativos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
O roteiro nasceu de uma ideia desenvolvida inicialmente por Guilherme Coelho e Michel Laub e posteriormente foi escrito por Marcelo Gomes, Mariana Jaspe, Michel Laub, Vinícius Spanghero, Josefina Trotta e pelo próprio Coelho. A produção é assinada por Mariana Ferraz, Tatiana Leite, Karim Aïnouz e Guilherme Coelho.

Além de Ana Carbatti e Sidarta Ribeiro, o elenco reúne Caio Cabral, Tay O’hanna, Nill Marcondes, Pedro Guimarães, Julio Adrião, Bárbara Vila Nova e Manuela Llerena. Oceânico é uma produção da Matizar Filmes, em coprodução com Bubbles Project e Cinema Inflamável, e terá distribuição da Filmes do Estação no Brasil.
A primeira exibição acontece em 2 de outubro, às 21h45, no Estação Claro Gávea, durante o Festival do Rio. O longa também terá uma sessão com debate em 3 de outubro, às 16h30, no Cine Odeon.
Première de Oceânico no Festival do Rio
Data: 02/10 (sexta-feira)
Horário: às 21h45
Local: Estação Claro Gávea – salas 4 e 5
Endereço: R. Marquês de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro – RJ
Sessão-especial com debate
Data: 03/10 (sábado)
Horário: às 16h30
Local: Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro
Endereço: Praça Floriano, 7 – Centro, Rio de Janeiro – RJ
Sessão de reprise
Data: 04/10 (domingo)
Horário: às 21h15
Local: Cinesystem Belas Artes Botafogo
Endereço: Endereço: Praia de Botafogo, 316 – Botafogo, Rio de Janeiro – RJ


