Uma pequena semente, um mundo cheio de possibilidades e uma aventura sobre crescimento, pertencimento e transformação. É a partir dessa premissa que Papaya, primeiro longa-metragem da cineasta Priscilla Kellen, chega aos cinemas brasileiros em 10 de setembro de 2026.
Com uma proposta visual ousada e uma narrativa construída sem diálogos, a animação acompanha uma pequena semente de mamão que sonha em voar e acredita que precisa permanecer em constante movimento para não criar raízes. O que começa como uma busca pela liberdade, porém, acaba se transformando em uma jornada de autodescoberta.
Ao longo do caminho, a protagonista percebe que aquilo que inicialmente parecia representar uma limitação pode, na verdade, ser uma fonte de força. Suas raízes passam a estabelecer conexões profundas com outros seres e com o próprio ambiente, desencadeando mudanças capazes de transformar completamente o mundo ao seu redor.
A história utiliza essa trajetória como uma metáfora para temas como crescimento, identidade, diversidade, pertencimento e descoberta das próprias potencialidades. Em vez de apresentar respostas prontas, o filme convida o público a interpretar seus símbolos e acompanhar a transformação da personagem a partir de diferentes perspectivas. Com 74 minutos de duração e sem diálogos, Papaya aposta principalmente na força das imagens, dos sons e dos movimentos para conduzir sua narrativa. A animação combina diferentes técnicas, incluindo formas bidimensionais e colagens, criando uma estética singular e extremamente colorida.
A identidade visual do longa também dialoga com referências da arte latino-americana e com os trabalhos em paper-cutout do pintor francês Henri Matisse. A mistura dessas influências levou Priscilla Kellen a definir o estilo desenvolvido para a produção como “tropicalismo pós-apocalíptico”, uma combinação que traduz bem a atmosfera visual particular do filme.
A produção teve um longo processo de desenvolvimento. Realizado ao longo de sete anos, o projeto passou por uma extensa etapa de construção de animatic, na qual foram trabalhados movimentos, ambientes e elementos sonoros antes da finalização da animação. Essa metodologia ajudou a construir uma experiência mais sensorial, na qual cada detalhe visual contribui para contar a história. A trilha sonora também desempenha um papel importante na narrativa. O trabalho é assinado por Talita Del Collado, integrante do Trio Manaflor, e conta ainda com a participação da cantora Tulipa Ruiz, ampliando a dimensão musical e sensorial da produção. Papaya também carrega uma trajetória internacional de destaque. O longa teve sua première nacional no Festival de Brasília de 2025 e se tornou a primeira animação brasileira selecionada para o Festival de Berlim, marcando uma importante conquista para a animação nacional.

A produção é da Boulevard Filmes, em coprodução com Birdo Studio, Priscilla Kellen e Alê Abreu, diretor de O Menino e o Mundo, animação brasileira indicada ao Oscar em 2016. Distribuído pela Cajuína Audiovisual e pela Sessão Vitrine Petrobras, projeto de difusão e democratização do cinema brasileiro idealizado pela Vitrine Filmes em parceria com a Petrobras, Papaya estreia nos cinemas brasileiros em 10 de setembro de 2026.
A animação surge como uma obra que combina experimentação artística e uma narrativa acessível para falar sobre algo universal: descobrir quem somos, encontrar nosso lugar no mundo e perceber que, às vezes, aquilo que mais tentamos evitar pode justamente ser o que nos dá força para crescer.


